Uma história a ser desvendada
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sexta-feira, 02 de janeiro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Londrina - Comparada com outras regiões do País, o Norte do Paraná, colonizado há menos de 100 anos, parece ser muito jovem. Mas não é. Cidades como Santo Inácio, Cambé e Ibiporã escondem embaixo da terra vestígios de uma civilização muito mais antiga. Elas foram sede de missões jesuíticas, há cerca de 400 anos, quando boa parte do território que hoje forma o Paraná estava sob dominação espanhola, com o nome de Província do Guairá.
Segundo a arqueóloga do Museu Paranaense Cláudia Parellada, de 1610 a 1631, os padres da Companhia de Jesus fundaram 15 missões ou reduções - no Guairá. Eram comunidades onde os religiosos espanhóis reuniam índios guaranis na tentativa de convertê-los ao cristianismo. Algumas delas tiveram mais de uma formação, totalizando 23 locais. Somente sete foram localizados (veja quadro), apesar de todos terem sido registrados na literatura jesuítica.
De acordo com a pesquisadora, algumas das missões não duraram três anos. Em 1631, com o fim da ocupação espanhola, todas haviam sido brutalmente destruídas pelos bandeirantes. "Na verdade, a palavra bandeirantes é posterior a essa época. Eles eram chamados maloqueiros", conta. Poucos maloqueiros, de acordo com a arqueóloga, eram portugueses. "A maioria eram índios tupis. Os portugueses se utilizavam da antiga rivalidade entre os povos indígenas (para acabar com as missões)", afirma.
Cláudia Parellada foi quem confirmou que o sítio arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia, em Cambé, é, de fato, a missão San Joseph. Foram vários anos de estudo até que o anúncio oficial da descoberta foi feito por ela em 2011, durante a IX Reunião de Antropologia do Mercosul.
As características das peças encontradas em Cambé, segundo ela, não deixam dúvidas de que ali ficava a missão jesuítica e não uma aldeia antiga. "As cerâmicas indígenas feitas antes do contato com os europeus são muito diferentes. Por exemplo, não tinham alças. Os guaranis, antes dos jesuítas, também não faziam vasilhas com a base reta", explica.
Cláudia lamenta que o Brasil não dê a devida atenção à sua própria história. Segundo a pesquisadora, na Argentina e no Paraguai, sítios arqueológicos como os de Cambé e Santo Inácio são protegidos e contam com infraestrutura para turismo. "Preservar esse material não é capricho. Temos que pensar no passado para planejar o futuro. Sabendo o que ocorria no ambiente há cinco mil anos, por exemplo, temos como nos precaver de problemas no futuro. O passado tem muito a nos ensinar", defende.
De acordo com a arqueóloga, no futuro, com a evolução tecnológica, será possível extrair muito mais informações dos fragmentos encontrados nos sítios arqueológicos. "Por isso, é muito importante ter a conservação da área", justifica.
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