Uma função que chega ao fim
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A aposentadoria de Ivair Teodoro de Faria, 70 anos, técnico de manutenção de equipamentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a partir de hoje, encerra também uma função profissional. Durante 37 anos ele dedicou-se a consertar máquinas de escrever, calculadoras, relógios-ponto, mimeógrafos e outros equipamentos em desuso nas várias repartições da instituição.
Aposentado por tempo de serviço, Faria não será substituído por outro funcionário. Os poucos equipamentos que ainda não foram trocados por computadores serão consertados por empresas terceirizadas. Com isso, chega ao fim a profissão de técnico de manutenção de máquinas de escrever nos departamentos da universidade.
Quando começou a trabalhar na UEL, a universidade restringia-se ao prédio onde atualmente funciona o Centro de Ciências Biológicas (CCB). ''Aqui era uma fazenda'', recorda o técnico, que aprendeu o ofício em oficinas no centro da cidade. ''Também fiz estágios em fábricas'', contou.
Na época em que computadores eram raros, Faria chegou a consertar dez máquinas de escrever por dia. ''Dávamos assistência para dois mil equipamentos'', relatou, acrescentando que trabalhava com outros dois funcionários que, com a informatização, foram transferidos de setor.
O local que dava mais trabalho ao técnico era o Departamento de Jornalismo, onde, até a década de 90, os estudantes utilizavam máquinas de escrever para redigir reportagens. ''Os equipamentos viviam quebrados.''
Outra lembrança que traz sorrisos ao rosto do técnico é a dificuldade que alguns usuários tinham de modificar as funções das máquinas. ''Eu entregava as máquinas funcionando e eles retornavam dizendo que estavam quebradas. Quando eu ia olhar, a fita estava na função 'neutra', para datilografar estênceis para rodar no mimeógrafo.''
Questionado sobre os sentimentos durante o último dia de trabalho, Faria admite não estar preparado para a vida de aposentado. ''Estou um pouco apreensivo. Vai ser um recomeço'', acredita. Os planos iniciais incluem realizar vários consertos na própria casa, que está precisando de uma ''revisão geral''. Depois, ele e a esposa pretendem passar uma temporada com a filha, que mora em Florianópolis (SC). Da UEL, ele afirma que sentirá muitas saudades, principalmente do ambiente de trabalho e dos bons amigos que fez nas últimas décadas.


