Uma força para quem está começando
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Aos 14 anos de idade, Janaína Aparecida Rosa da Silva já queria trabalhar para ajudar na renda familiar. A oportunidade veio através do Jovem Aprendiz, programa de capacitação profissional que ajuda jovens entre 14 e 24 anos a conseguir o primeiro emprego.
O Jovem Aprendiz voltou à discussão recentemente, por causa da polêmica envolvendo a Liga dos Engraxates de Londrina, que atende garotos de 16 a 18 anos. Uma decisão judicial proíbe a entidade de receber novos garotos. O Ministério Público considera o trabalho nas ruas prejudicial à formação dos adolescentes. Na época, o procurador regional do Trabalho, Alberto Emiliano de Oliveira Neto, citou o artigo 428 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), sobre contratação como adolescente aprendiz do jovem com idade entre 14 e 24 anos.
Londrina conta com cinco entidades ligadas à Delegacia Regional do Trabalho e cadastradas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), que oferecem cursos profissionalizantes. Janaína participou do programa através do Núcleo Espírita Irmã Scheilla. Durante dois anos, ela trabalhou como aprendiz em uma distribuidora de peças e recebeu capacitação profissional no Núcleo. Hoje, ela é funcionária efetiva da empresa. ''A aprendizagem é uma oportunidade de ter acesso ao mercado. Os cursos de capacitação também são importantes'', comenta Janaína, que trabalha como auxiliar administrativa e é estudante do 1º ano de Administração de Empresas na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A empresa onde a jovem trabalha também emprega outros sete ex-aprendizes. ''Acaba se tornando algo muito bom para todos. Tanto para o jovem que busca um primeiro emprego como para o empresário que contrata alguém com qualificação'', afirma o sócio-diretor da Sagipeças, Fábio Okueo.
O Irmã Scheilla conta com 72 jovens trabalhando como aprendizes em 9 empresas de Londrina. Willian Carlos Ferreira Bertin, 15 anos, é aprendiz no Banco do Brasil. ''Durante a semana vou para o banco, das 13 às 17 horas, e aos sábados venho pra cá (entidade), onde tenho aulas que me ajudam no dia-a-dia. Se não fosse pelo programa seria muito mais difícil conseguir esse emprego'', salienta.
Qualificação
A assistente social do Irmã Sheilla, Bruna Viviani Viana, lembra que como a maioria das empresas cadastradas na entidade é pública, o contrato de dois anos termina com a conclusão do programa, criando uma demanda de jovens em busca de empregos no setor privado. ''Quanto mais empresas privadas nos procurarem melhor, pois a possibilidade do jovem ser efetivado é ainda maior. Na empresa pública, por causa do concurso público, o jovem não pode continuar.''
Desde 2006, pelo menos 60 jovens já passaram pelo programa, também ofertado pelo Serviço Nacional do Comércio (Senac). Do total, 90% foram efetivados. A técnica de educação profissional do Senac Londrina, Marisa Pinheiro de Souza, explica que, mesmo sem efetivação, o currículo e a experiência possibilitam novas oportunidades. ''Eles saem daqui com um currículo com 588 horas de treinamentos e cursos e com um contrato de dois anos em empresas idôneas. O programa possibilita justamente isso, a oportunidade de trabalho e o desenvolvimento teórico, aperfeiçoando e qualificando sua atuação'', afirma.


