Uma flor aparece no compasso entre duas tardes. Surpreende até mesmo a dona do vaso, que usou o regador sem esperar tamanho rompante vegetal. Senhora de pontas, bússola em fotossíntese que se volta para os cidadãos atarefados da segunda, da terça-feira. Ela, que tinge os dias brancos e chatos da semana útil. A flor magnetiza o olhar do fotógrafo, que a registra em todas as cores. Quem é esta planta-estrela, de feições meio marítimas, meio tropicais? Poucos sabem. Na verdade, diante do brilho estelar caprichoso, é dispensável a definição botânica. Adiantam algo duas palavrinhas em latim, que a colocariam no mundo da ciência? O que ela faz, muito adiante dos catálogos, é estimular a simples consciência do belo.(Paulo Briguet)

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