Eles são anões de circo, mas fogem de qualquer estereótipo de bizarrice. São artistas, em primeiro lugar, como dizem com convicção. Com números bem ensaiados, arrancam risos do público com palhaçadas que envolvem até os cinco membros do clã de uma só vez.
Aparecido Mendes, 46, o Tico, nascido em Maringá, conheceu a esposa Mirtha Fuentes, 43, a Taki, quando o circo em que trabalhava foi se apresentar na capital argentina, Buenos Aires, em 1986. Ela era atriz profissional, dançarina e fazia patinação no gelo. Mas se apaixonou por Aparecido e foi fazer arte no picadeiro.
Vieram os filhos, Paulo, 19; Paola, 16, e Pablo, 15. A bordo de um trailer, de 2,30 metros por 6,60 metros o casal criou os três. Paulo já concluiu o ensino médio. Paola e Pablo estão no primeiro ano. Não reclamam de pular de uma escola para a outra - às vezes o circo fica apenas quatro dias em uma cidade. Contam que fazem amizade facilmente. ''Não podemos nos queixar de nada'', ressalta Paola.
Mas e o preconceito, vocês sentem por conta do nanismo? Taki é enfática. ''Na vida e na profissão, cada indivíduo se faz respeitar por suas atitudes. Felizmente, não sentimos preconceito''. Tico completa. ''Temos o nosso trailer, nossa camionete para puxá-lo e uma casa em Maringá. Conseguimos tudo com muito suor e somos felizes por estarmos aqui'', diz o homem que adaptou os pedais e o banco da camionete para a sua altura. (W.S.)

mockup