Uma família em crescimento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Os movimentos das pequenas alunas ainda estão bem longe da técnica mostrada pela equipe de Ginástica Rítmica (GR) brasileira que participou das Olimpíadas. Mas cada uma delas se sente um pouco parte da família olímpica da ginástica. Uma família que cresceu nos últimos anos com a implantação dos pólos de GR coordenados pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) em três bairros periféricos da cidade.
Se a maioria das mais de 300 meninas que hoje participam do projeto não vai virar uma ginasta profissional, todas elas contabilizam ganhos de outras naturezas. ''Ela está mais calma e responsável e treina bastante'', conta a dona de casa Mari Teixeira, 30 anos, mãe de Natália. A mãe afirma que o esporte ainda trouxe outro ganho. ''Minha filha tem problema de colesterol alto e precisa manter o peso, hoje ela se preocupa mais com isso'', revela.
Para as crianças, as aulas parecem uma brincadeira, com direito a rolar no chão, pular bastante e dançar as músicas favoritas. ''É bom porque a gente brinca'', reforça Natália, 6 anos. Após as aulas, ela ainda tem fôlego para repassar as coreografias com a irmã Bianca, 5 anos, e a prima Luana, 6 anos, todas na mesma turma do pólo da escola municipal Professor José Garcia Villar, no Jardim Interlagos (Zona Leste). ''Amanhã vou na casa da minha prima, lá tem um espaço e dá para gente fazer'', planeja a menina.
Os pólos, entretanto, também revelam talentos. Caso de Juliany Cristina Lopes, 6 anos, que foi selecionada para participar das aulas no centro de treinamento da Unopar. Mesmo na fase mais avançada, ela não perde as atividades na escola. ''Lá na Unopar é mais difícil mas é legal também, a gente aprende a fazer coisas novas'', conta.
Encontrar novos talentos é apenas um dos objetivos do projeto. ''Nossa proposta é popularizar o esporte e investir na ginástica enquanto exercício de cidadania'', afirma a coordenadora da GR da Unopar, Márcia Aversani Lourenço. ''A GR é uma coisa que elas vão levar para outros esportes e para a vida mesmo, o esporte ensina a pessoa a pensar nos movimentos e valoriza a mulher, o que é muito legal'', comenta.
Com a exposição das atletas nas competições internacionais e, mais recentemente nas Olimpíadas, a procura pela GR é cada vez maior. Por conta disso, segundo ela, a avaliação do potencial das crianças e a seleção para o centro de treinamento, realizada anualmente, foi ampliada para duas datas no ano.
Revelar futuros esportistas virou tarefa nacional. Durante todo este mês, o Ministério do Esporte pretende avaliar 1,9 milhão de crianças de 10 a 15 anos para formar um cadastro cujas informações serão repassadas ao Comitê Olimpíco Brasileiro (COB) e entidades interessadas em financiar novos atletas. A avaliação será feita por profissionais de Educação Física em escolas públicas e particulares de ensino. A meta do Ministério é cadastrar 40 mil crianças que se destaquem em exames de velocidade, estatura, flexibilidade, entre outros.(Com informações da Agência Brasil)


