O sentir e o ver o mundo por meio do toque e do cheiro. Foi por essa experiência que passaram alunos do Colégio Estadual Thiago Terra, no Jardim União da Vitória, localizada na Zona Sul de Londrina, ao participarem recentemente de uma sala das sensações, durante uma feira realizada na instituição. Eles queriam vivenciar a realidade vivida por dois colegas, irmãos gêmeos que têm deficiência visual.
Vendados, os alunos de 5 a 7 séries passaram por dentro de caixas com soja e areia, cheiraram café e temperos, e passaram a mão em desenhos feitos em alto relevo, na tentativa de identificar cada objeto exposto.
Os gêmeos Anderson e André Henrique de Alcantâra, 12 anos, tiveram glaucoma congênito no nascimento, perdendo totalmente a visão aos 5 anos. Alunos do Thiago Terra, eles também exibiram um trabalho feito em braile e acharam incrível a ideia.
''Meus colegas puderam saber como é a vida das pessoas que não enxergam e respeitar mais quem tem a deficiência'', diz Anderson. ''Não enxergar não é nenhum defeito, e com a sala nossos amigos puderam conferir isso'', completa André.
A exposição, que incluiu também desenhos produzidos por vários alunos, surgiu durante uma aula de matemática, quando a professora resolveu utilizar obras de Tarsila do Amaral e as formas do movimento cubista para ensinar geometria.
Da experiência nasceu a ideia de se criar uma sala onde os demais alunos pudessem interagir com a realidade diária dos garotos. Segundo a professora Katia Nunes Garcia Lopes, a projeto de inclusão acabou se tornando a atividade mais divertida da exposição e deve ser repetida outras vezes.
Todos os alunos da escola acabaram ''comprando'' a ideia, fato que foi comemorado pela diretora-geral, Maria Angela Leite. O colégio tem aproximadamente 600 alunos. ''Realizamos o evento e agora percebemos que as crianças conseguem aprender e também se divertem.''
Valorização
Uma das alunas que passou pela sala foi Stefane Caroline da Luz, 13. Ela comentou o que sentiu logo depois de passar vendada pelos obstáculos. ''É bem legal e difícil por não poder enxergar, agora a gente vai dar mais valor em quem não enxerga.''
Juscelina Mariano da Silva, mãe dos gêmeos, aprovou a iniciativa. ''As escolas deveriam tentar esse tipo de inclusão porque, de alguma forma, eles são melhor compreendidos pelos colegas. Meus filhos sempre foram bons alunos, e é bom ver que a escola dá valor a eles.''

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