Imagem ilustrativa da imagem Uma escola de todos
| Foto: Roberto Custodio
As escolas participantes oferecem atividades recreativas e cursos aos sábados



Construção de uma relação entre a comunidade e a escola, mudança de comportamento dos alunos, melhor desempenho escolar e desenvolvimento do sentimento de pertencimento são alguns dos frutos que o projeto Escola Acolhedora começa a colher em Londrina. Implantado em maio do ano passado na Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no Jardim União da Vitória (zona sul), para resolver os conflitos que haviam na instituição, o projeto conquistou outros estabelecimentos municipais e hoje está presente também na Eugênio Brugin, Maria Cândida Peixoto Salles, Salin Aborihan e na Maestro Roberto Pereira Panico.
Reportagem publicada na FOLHA no dia 29 de julho aponta que, desde o início deste ano, a Secretaria de Educação de Londrina registrou 33 invasões em 27 escolas. Em 27 ocorrências houve furto e em outros seis casos foi registrado apenas vandalismo.
As escolas participantes abrem as portas para a comunidade aos sábados pela manhã para atividades recreativas, cursos e oficinas. Além disso, há capacitação aos professores e, uma noite por semana, são oferecidas atividades para os pais e comunidade. "A meta é acolher pais, alunos, servidores e ex-alunos na escola", afirmou Janet Thomas, secretária de Educação de Londrina e idealizadora do projeto.
"Além da Educação também estão envolvidas as secretarias da Mulher, Defesa Social, Assistência Social e Cultura. Cada uma contribui com palestras ou outras atividades", disse Janet. Em parceria com o Sistema S (Senai, Sesc, Sesi), são realizados cursos profissionalizantes.
O projeto piloto foi implantado na Zumbi dos Palmares após a Educação precisar intervir na escola e mudar a direção. A instituição estava em conflito com diversos casos de agressões entre alunos e professores. "Nasceu de uma necessidade de resolver os problemas nas escolas em crise. Hoje, os pais que criticavam a escola são parceiros e voluntários. O vandalismo nas escolas que participam do projeto deixou de existir e ela passou a ser um lugar mais seguro. Os professores também se setem mais acolhidos pela Secretaria", relatou Janet.
A vontade da secretária era que todas as escolas participassem da iniciativa, mas ainda há resistências. O trabalho é voluntário, assim como a participação nas capacitações. Apenas o professor de Educação Física ganha hora extra para realizar as atividades do Escola Acolhedora. "Trabalhar ao sábados é a principal barreira, mas tem gente que está disposta, que quer se envolver com a comunidade", ressaltou.
Janet recordou que, em alguns casos, a própria escola pediu "socorro" para enfrentar os conflitos e em outras, a secretaria teve que intervir, como na Escola Municipal Maria Cândida Peixoto Salles. Havia disputa interna entre direção e professores, o que fez a secretaria trocar a diretora. Na Eugênio Brugin, os casos de arrombamentos eram frequentes. Um professor teve o carro e a sala de aula vandalizados pelos alunos.
"Há escolas que entendemos que precisava implantar por causa dos conflitos, mas a comunidade escolar não quis. E a escola tem que abraçar a ideia senão não dá certo", frisou a secretária. A escola Haydee Colli Monteiro deve ser a próxima a abrir as portas à comunidade. A direção está montando as atividades para colocar em prática nos próximos meses.
Segundo a Janet, a secretaria de Educação está elaborando uma proposta para encaminhar à Câmara de Vereadores para que o Escola Acolhedora seja institucionalizado e, assim possa ter continuidade, independentemente de quem esteja no governo municipal.

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