O desafio é chamado de Hard Bike Tours - Jornada Dura de Bicicleta - em que o ciclista percorre o trajeto escolhido com a cara e a coragem. A aventura do funcionário público Lavoisier Richard, de 42 anos, que pretende atravessar pedalando o deserto da Patagônia (no sul da Argentina), começa no dia 1º de março, quando ele deixa a cidade de ônibus com destino à Bariloche. De lá, segue para a Cordilheira dos Andes, onde inicia o trajeto sobre duas rodas. O projeto da viagem surgiu há 10 anos, mas só agora está sendo concretizada, com o auxílio de comerciantes da cidade que estão patrocinando a idéia.
Serão mais de mil quilômetros de bike, num total de 600 milhas. Para encarar o trajeto, Richard, que trabalha como segurança no período da noite em Londrina, vem treinando duro nos últimos seis meses. São cinco ou seis horas de pedaladas por dia, percorrendo uma média de 100 a 120 Km.
A aventura começa em San Martin de Los Andes, na Cordilheira dos Andes, onde o ciclista e um amigo vão alugar um carro que servirá de apoio em todo o trajeto. A partir daí, Richard vai atravessar o deserto da Terra Colorada até chegar à Península Valdés, uma das maiores e mais importantes reservas marinhas do mundo, onde vivem dezenas de milhares de pinguins, baleias de vários tipos e tamanhos, leões e elefantes marinhos. Serão 14 dias e noites, num total de 600 quilômetros de estrada de terra.
Até chegar a esse paraíso, na praia Punta Delgada, Richard vai enfrentar um caminho difícil. ''O local é muito deserto. A densidade demográfica da região é de apenas um habitante por milha. Estaremos praticamente sozinhos'', afirma o aventureiro, que desde criança é apaixonado por bicicleta. ''Nunca treinei, apenas pedalei por hobby. Mas agora é pra valer''.
A bicicleta é uma montain bike, com quadro de ferro e equipada para percursos de longa distância. A expectativa é enfrentar ventos de até 80 quilômetros por hora, que podem ajudar ou atrapalhar, dependendo da direção. O clima também será um desafio. ''Devemos enfrentar uma temperatura média de 10 graus durante o dia e até três graus negativos durante a noite'', prevê. Para isso, um agasalho térmico deve amenizar as baixas temperaturas.
Mas o trajeto vai compensar. O aventureiro vai encontrar uma vegetação esparsa e de arbustos, além de uma fauna rica e diferenciada, com tatus, camelos e avestruzes, que dividem a paisagem com lebres. No caminho também estarão oásis em forma de lagos, bebedouros naturais para os animais do deserto e refúgio de inúmeras e variadas espécies de aves.
A idéia é registrar imagens de todo o trajeto além de conhecer a cultura da região. Apesar de um roteiro pré-programado, o ciclista vai pedalar conforme as condições do lugar. ''Terei pela frente santuários incas e comunidades que vivem no local. Não é um percurso de competição, por isso podemos parar para conhecer mais os costumes do povo. É uma viagem de aventura, de descobertas. Esse é o grande desafio''.

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