Uma doença que atinge 5,4 milhões
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segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que pelo menos 5,4 milhões de brasileiros sofrem com a hérnia de disco. Para especialistas, a doença está entre as principais causas de dores na coluna ou formigamento nas pernas. Um problema grave que poderia ser facilmente evitado com o fortalecimento muscular e cuidados para não sobrecarregar a coluna.
''Esse não é um problema que surge na infância ou mesmo na fase adulto-jovem. Os primeiros sintomas aparecem após os 40 anos e devido, geralmente, à aceleração da degeneração do disco que ocorre durante toda a vida'', alerta o ortopedista e traumatologista Arício Tavares, de Londrina.
''Alguns hábitos podem ser muito prejudiciais nesse sentido, como por exemplo, carregar muito peso diariamente, dormir de mal jeito, ter má postura ao caminhar ou limpar a casa, além do fato de não abandonar a vida sedentária'', acrescenta o especialista.
Para o médico, o grande risco que o problema representa é que a mesma parcela da população que sofre com a doença padece também pela falta de informação sobre a patologia e acaba se submetendo a tratamentos nem sempre são eficazes para acabar com as dores. Isso, consequentemente, pode causar aumento dos sintomas e a progressão da doença a médio e longo prazos, levando a problemas mais sérios na coluna.
Nesse sentido, o ortopedista explica que o principal desafio para os médicos é reconhecer a fase em que a doença se encontra, já que os diferentes estágios requerem diferentes abordagens e tratamentos. Tavares explica que o diagnóstico correto exige uma avaliação clínica e radiológica do paciente, definindo sintomas, localização da patologia e fase de degeneração em que ela se encontra.
''O principal sintoma é conhecido como ciática, que consiste na dor irradiada para as pernas'', cita o especialista. ''Dependendo da raiz nervosa atingida pela hérnia, a dor será irradiada para uma área específica do membro.''
Disfunção
Atuando normalmente, o disco intervertebral tem como função principal a absorção de impacto, bem como permitir movimentos em diferentes eixos de rotação. Ele é formado por um núcleo pulposo (centro gelatinoso) e pelo ânulo fibroso (periferia rígida), que circundam o núcleo. ''Essas características anatômicas dão ao disco intervertebral a capacidade de absorção de carga e movimentação em diferentes eixos de rotação'', explica o ortopedista.
No entanto, com o enfraquecimento dos músculos ao longo do tempo e a sobrecarga diária sobre as vertebras, o processo de degeneração passa a ocorrer de forma acelerada. Nessa etapa inicial da patologia, o disco intervertebral começa a apresentar sintomas de envelhecimento e suas fibras (anel fibroso) apresentam fissuras que levam o disco intervertebral à forma de arco.
Essa etapa inicial é chamada de abaulamento discal e o tratamento deve incluir uso de anti-inflamatórios e repouso na fase aguda, e fisioterapia na fase pós-aguda.
O médico explica que na etapa seguinte, conhecida como protrusão discal, o abaulamento do disco encontra-se mais proeminente, podendo atingir nervos, medula e saco dural.
''Se não acompanhado adequadamente por uma especialista, o problema evolui para um quadro, propriamente dito, de hérnia de disco'', observa Tavares. ''Nesse estágio, as estruturas nervosas estão totalmente comprometidas pelo estreitamento dos canais por onde passam os nervos, medula ou saco dural. Nessa etapa, a perda da força muscular ou a sensibilidade alterada aumentam consideravelmente.''
Sequestro
Considerada uma etapa mais rara da patologia, o chamado sequestro ou fragmento consiste na ruptura da parte herniada com o disco intervertebral. Parte do disco que se encontrava extruso se separa do disco e acaba comprometendo as estruturas nervosas, dependendo da posição do fragmento.
No caso de protrusões, hérnia de disco e sequestro, o tratamento pode vir a ser cirúrgico. Nos casos de protrusões, procedimentos minimamente invasivos como injeções espinhais são indicados. Para etapas mais avançadas, é necessária a descompressão das estruturas afetadas, retirando-se o fragmento da hérnia.
O médico explica que esse procedimento também pode ser realizado de uma maneira minimamente invasiva, em que através de uma pequena incisão chega-se até o local afetado, retirando-se apenas o fragmento extruso.
Após a cirurgia, a recuperação completa dura cerca de 90 dias. Após esse período a pessoa pode retornar as atividades diárias normalmente e o paciente terá que evitar a sobrecarga da coluna manter o fortalecimento muscular com atividades como caminhada em terreno plano, natação, hidroginástica, pilates e alongamento por toda a vida.



