Uma doença de evolução silenciosa
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quinta-feira, 08 de novembro de 2012
Reportagem Local 
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). Estimativas apontam 60 mil novos casos da doença no Brasil em 2012. Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.
A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozóides, liberado durante o ato sexual.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.
Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.
Segundo o coordenador da área técnica de Saúde do Homem, Eduardo Chakora, o Ministério da Saúde recomenda fazer o exame de próstata a partir dos 50 anos de idade. ''Se ocorrer esses sintomas e o homem apresentar algum antecedente, a recomendação é que procure o urologista um pouco antes, com 45 anos de idade, justamente por causa dessa predisposição familiar'', destaca.
Prevenção
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), para diminuir os riscos de câncer, assim como outras doenças não transmissíveis, a adoção de uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal,
é essencial. Além disso, a prática regular de atividades físicas (no mínimo 30 minutos diários) também é uma das medidas básicas para a prevenção do câncer de próstata, assim como manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.
Ainda de acordo com o Inca, a idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.
Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença de 3 a 10 vezes comparado à população em geral, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias.
Diagnóstico
O coordenador da Saúde do Homem explica que os dois exames mais comuns para detecção da doença são o de toque retal e o PSA (Antígeno Prostático Específico). ''Primeiramente, realiza-se o toque retal, considerado exame básico para ver se tem alguma alteração da próstata. Se houver algum sinal alterado, fazemos o PSA e se for detectado algo o paciente é encaminhado para uma ultrassonografia, método utilizado principalmente para guiar biópsia da próstata. Com o material coletado é possível ver se há um tecido que seja canceroso e a partir disso, começar o tratamento'', ressalta.
Com relação ao receio de muitos homens em realizar o exame, o coordenador destaca que é necessário desmistificar o medo: ''É um exame simples, praticamente indolor e com muito pouco incômodo. Os homens precisam superar o preconceito e cuidar da saúde'', pontua Chakora.
Tratamento
Para doença localizada, segundo informações do Inca, cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Para doença metastática (quando o tumor original já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento de eleição é a terapia hormonal. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após discutir os riscos e benefícios do tratamento com o seu médico.


