Basta alguns minutos de conversa com a paulistana Regiane Galdino, 33, para perceber a intimidade que tem com os livros. A cada assunto, ela encontra espaço para relembrar um enredo ou até mesmo citar alguns autores de sua paixão. E não são poucos.
Por ano, Regiane devora cerca de 36 livros dos mais diversos assuntos. São no mínimo, três por mês. E se essa soma for multiplicada pelos 15 anos dedicados à leitura, o resultado são 540 livros já descobertos por ela. Número que impressiona em um país onde o índice de leitura por pessoa, é de 4,7 livros por ano.
''Um livro muda a visão de mundo em qualquer pessoa. Quem lê, transforma valores e encontra até uma fuga para os problemas, pois a leitura é uma porta aberta para o conhecimento'', comenta ela, que não sai de casa sem um livro na bolsa. ''Uma fila de espera, um momento de bobeira, um passeio no lago. Não importa, qualquer lugar é tempo para abrir um livro'', acrescenta.
Em Londrina há seis anos, Regiane encontrou ainda mais motivação para seu hobby preferido depois que passou a trabalhar em uma livraria, pois ela conta que sente vergonha quando não tem referências sobre o livro questionado pelos clientes. ''É por isso que não faço distinção de autores e temas. Leio de tudo, mas é claro que tenho meus ídolos'', brinca, citando Mario Vargas Llosa e Rosamunde Pilcher.
Mas a novidade desta história não se resume somente ao conhecimento acumulado em cada página lida por Regiane, mas pela transformação que o mundo da leitura proporcionou à sua vida. ''Só agora tenho condições de pagar um cursinho'', diz ela, que a partir de 2011 tem como meta principal, entrar na Universidade para cursar História.
Incentivo de uma professora
As dificuldades que Regiane disse ter enfrentado na adolescência só tomaram o caminho das letras através de uma grande incentivadora. ''Tive a sorte de ter uma professora de português muito boa. Ao perceber minha dificuldade de aprendizado, ela foi me dando livros e mais livros e a cada título terminado, era uma nota a mais na escola. Hoje, não consigo viver sem eles'', relembra.
Para ter acesso a tantos livros, Regiane frequenta semanalmente as bibliotecas públicas e os sebos, além dos livros que ganha. ''Hoje tenho cerca de 300 títulos em casa, mas muitos estão emprestados. Livro é para ser compartilhado'', ressalta.
E para quem está começando a descobrir o prazer da leitura, Regiane dá algumas dicas, como ler sempre o que gosta e não o que está na moda e sempre reservar um bom tempo para ler. ''Domingo de manhã é ótimo porque é um dia de descanso e as tarefas diárias podem esperar um pouco mais'', diz ela.

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