Aos 16 anos, Alef dos Anjos Lima está a meio caminho do sonho de se tornar um jogador de futebol profissional. Já Mateus Lima Marçal, 15, escolheu direcionar seus dribles para o futsal e os estudos, enquanto o pequeno João Santos Moraes, 5, gosta apenas de brincar com a bola. Em comum, o trio tem a oportunidade de praticar esporte e aprender noções de cidadania no campinho do projeto Gol de Placa, na Zona Norte de Londrina.
Criada há dez anos pelo ex-atleta de futebol Antônio Ricardo Teruel, a Associação Londrinense Futebol Arte (Alfa) desenvolveu o programa para ensinar futebol de campo a crianças carentes no contraturno escolar. Ainda sem sede própria, a associação realiza palestras em espaços cedidos pela comunidade, as quais tratam temas do dia a dia dos jovens, como família, estudos, superação, drogas e criminalidade.
''Nossa meta é promover a inclusão social e elevar a qualidade de vida desses jovens, utilizando o esporte como instrumento de desenvolvimento humano. Com atividades de convivência socioeducativa, tiramos as crianças da rua e da ociosidade'', justifica Teruel, que também é treinador.
Para participar da escolinha o jovem deve ter entre 7 e 16 anos, frequentar regularmente a escola e ser disciplinado. Além do campo no Conjunto Sebastião de Mello César, o projeto atende outros 80 meninos no Jardim Paraíso. Lá, a ação começou há três anos, com recursos da Receita Federal, que bancou todos os uniformes e chuteiras dos atletas.
''Começamos com 30 meninos e hoje estamos com 200. Há treinamentos diários, de manhã e à tarde, e aos fins de semana acontecem os jogos das diferentes categorias. É a participação em campeonatos entre escolinhas de bairro que motiva ainda mais os jovens'', diz Teruel, citando que o projeto conta com cinco meninas, que jogam em meio aos garotos.
A rotatividade de participantes é grande, mas há uma unanimidade: a vontade de se tornar profissional. ''Mesmo que no futuro eles não sejam jogadores, sei que aprenderam princípios aqui.''
O jovem Alef Lima é exemplo: jogando pela Alfa há seis anos, o lateral direito já jogou pelo Laranja Mecânica de Arapongas, fez teste no Coritiba e há duas semanas faz parte do elenco do Londrina Esporte Clube (LEC), sem abandonar os treinos na Saul Elkind. ''Minha primeira oportunidade foi aqui, onde fiz amizades, vivi alegrias, ganhei experiência e aprendi a respeitar o próximo.''
Morando com o pai e um irmão no Jardim Planato, o caçula da família até gosta de estudar mas vê no futebol a saída para uma vida difícil. ''Estou numa fase boa, me destacando entre os mais velhos no LEC, e isso me dá esperança.''

mockup