O envolvimento de jovens com drogas é um problema de todo o mundo, não só da nossa cidade. Infelizmente, enquanto não temos um membro da família envolvido com drogas, adotamos a cômoda posição de achar que o problema ‘‘é dos outros’’. Nosso comodismo permite que cenas tristes de tráfico sejam observadas à luz do dia em Londrina, em plena praça pública.
Fim de tarde de um dia qualquer, o sol resolve dar o ar da graça depois de horas de chuva e tempo fechado. O clima convida para o ar livre e o Zerão se enche de famílias, jovens, crianças, bicicletas, patinetes, que aproveitam o fim do dia.
Próximo da Concha Acústica existente no local, bandos de meninos e meninas cheiram cola e fumam maconha sem serem importunados. Próximas deles, pessoas que usam o Zerão para a prática de esportes passam, notam e seguem adiante. A polícia não aparece.
Os grupos de cheiradores de cola são abordados apenas por rapazes e moças, cujas roupas mostram ser de famílias de bom poder aquisitivo, à procura de droga. O ‘‘negócio’’ é fechado atrás de um banheiro público, como se ali ninguém visse, nem a quase 150 metros de distância.
Todos que viram a cena sabiam que aquele menino e aquela menina, que aparentavam uns 15 anos, compravam drogas e que aqueles meninos malvestidos e sujos, as vendiam. O saco de cola passava de mão em mão. Acertado o preço, o grupo se desfaz, como se conseguisse disfarçar alguma coisa.
A dupla de compradores passa pelas pessoas que passeiam ou fazem caminhadas, desce a rampa do gramado e segue para os campos de futebol do vale, onde acendem os cigarros de maconha e fumam despreocupadamente. Ninguém os incomodou, nem a polícia, nem as instituições que cuidam de jovens em situações de risco. Onde eles estavam? Onde nós (a sociedade) estamos nisso tudo?

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