Maringá - A cidade de Maringá já é bastante conhecida pela sua preocupação com as áreas verdes da cidade e a consciência ecológica de sua população. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a cidade possui cerca de 150 mil árvores, o que lhe dá o título de uma das mais arborizadas do país, com 26,65 metros quadrados de área verde por habitante. De mata nativa, Maringá possui 90 alqueires divididos em 17 bosques de área urbana. Até um concurso de fotografia acontece todos os anos para premiar as melhores imagens de Ipê, árvore símbolo da cidade.
A comunidade local tem orgulho de morar na cidade verde e conserva suas árvores com verdadeira adoração. A construção de uma avenida de acesso a uma universidade precisou ser alterada para que um cedro não fosse arrancado. Isso a pedido dos moradores, inconformados em perder a árvore centenária. Mas tudo isso parece pouco para os maringaenses. Há cerca de dois anos, foi criado o Instituto da Árvore, uma organização não-governamental formada por líderes da comunidade com o objetivo de administrar e gerir a questão da árvore na cidade.
Segundo o secretário geral do conselho deliberativo da ONG, Shigemassa Iamasaki, o trabalho do instituto é desenvolver projetos, estudos e pesquisas sobre o assunto e, com isso, buscar soluções cada vez melhores para a arborização pública. ''Maringá está à frente da maioria das cidades nesse assunto, mas sempre há pontos para evoluir. O que temos hoje foi conseguido com um bom trabalho no passado, mas não podemos viver de passado. Precisamos olhar para frente e pensar nos problemas que virão e nas soluções que teremos'', afirma.
Ele garante que a cidade tem problemas com suas árvores, principalmente por causa de plantios feitos de maneira errada. ''Temos muitas árvores com risco de cair porque foram plantadas sem conhecimento. Antes de escolher uma espécie é preciso saber que tipo de raiz ela tem, por exemplo. Muitas árvores provocam rachaduras nas calçadas porque têm raiz horizontal e precisariam de mais espaço para crescer com saúde. Presas nas calçadas, elas podem cair e provocar acidentes'', explica.
Além de colaborar com sugestões para o plantio adequado de árvores e oferecer auxílio para a população, o Instituto da Árvore desenvolve um projeto de parceria com empresas da cidade para cuidar dos canteiros centrais das avenidas de Maringá. ''A empresa adota lotes de canteiros, divididos em 50 metros, e doa o dinheiro necessário para sua conservação. O instituto faz o projeto ambiental e mantém os canteiros, graças ao trabalho de voluntários. A avenida Tiradentes já está quase toda adotada, agora vamos começar o trabalho na avenida São Paulo'', diz.
Várias empresas locais e outras ainda maiores já adotaram um ou mais lotes, que ganharam flores, plantas ornamentais e gramado novo. O custo da adoção é de R$ 3,8 mil por ano. Em troca, a empresa ganha uma placa com seu nome no canteiro adotado. ''Mas o mais importante é a consciência ecológica das pessoas e a educação das gerações futuras. Acredito que só com educação e exemplo podemos ensinar as crianças e os jovens a respeitarem a natureza'', comenta Iamasaki.

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