Rio - O transplante de medula óssea vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Ele pode ser um aliado no tratamento de doenças relacionadas à produção das células do sangue, como leucemia, anemia, linfoma, entre outras. A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos e o transplante consiste na troca da medula óssea doente por outra saudável visando a reconstituição da hematopoese.
Segundo informações do Ministério da Saúde, o transplante poderá ser feito com a medula do próprio paciente, chamado de transplante autólogo, ou a doação poderá vir de um irmão ou irmã compatível – transplante alogênico aparentado. Caso essas alternativas não sejam possíveis, será preciso encontrar um doador com medula compatível fora da família e realizar o chamado transplante alogênico não aparentado.
As irmãs Monique e Monika Hammerschlag, do Rio de Janeiro, já eram doadoras de sangue no Hemorio e lá optaram por se cadastrarem também como doadoras de medula óssea. A surpresa aconteceu em 2013, quando Monika foi diagnosticada com mielofibrose e precisou do transplante da irmã.
Mesmo após a doação, Monique continua no cadastro. Segundo ela, a motivação é a possibilidade de fazer parte da recuperação de alguém, podendo salvar uma vida com um gesto simples. "A sensação de poder ajudar alguém é muito grandiosa. No meu caso, foi o da minha irmã e pude não só cuidar dela no dia a dia, mas também doar parte de mim para que ela se recuperasse. Isso não tem preço. Então, aconselho que se cadastrem como doadores, vejam as condições e como funciona o procedimento, para que estejam certos de que estão dispostos a contribuir com esse ato. E assim, ter fé para ser escolhido e ajudar alguém", incentiva Monique.
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros dos estados. O Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) reúne as informações genéticas e dados cadastrais dos doadores voluntários de medula óssea no Brasil. Periodicamente um sistema informatizado realiza o cruzamento das informações genéticas dos pacientes que estão necessitando de um transplante de medula com as disponíveis no Redome.
Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil.
A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

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