Uma chance de vida nova
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
Inesquecível: esse é o adjetivo de quem ganhou uma chance de vida nova. Nesse ano bissexto que se despede, teve gente que encontrou um grande tesouro: a saúde. Um motivo mais do que especial para bradar a toda garganta ''adeus ano velho'' e fazer de 2009 um feliz ano novo.
Que o diga Degilânio Verônica de Lima, 25 anos. Quem o vê de mãos para o céu ou levantando uma jarra de água mal pode imaginar que o rapaz teve as mãos decepadas no mês de julho. O médico Edson Takaki, especialista em microcirurgia, devolveu as mãos a Degilânio. Em 24 horas ininterruptas de procedimento cirúrgico no Hospital Evangélico, Takaki, junto de sua equipe, realizou um delicado e bem sucedido reimplante.
Cearense da cidade de Brejo Santo e um dos 11 filhos de dona Maria de Lima, Degilânio migrou com a mãe e alguns irmãos para Apucarana (Norte) em busca de emprego. Diz que valeu a pena, pois trocou a incerteza da produção da lavoura do sertão nordestino por uma assinatura na carteira de trabalho no Paraná. E foi trabalhando, operando uma máquina que corta artefatos de couro, que o rapaz sofreu o acidente que lhe deixaria cicatrizes no punho e lições não só para o ano novo, mas para a vida toda.
Cinco meses depois do reimplante, ele comemora cada novo movimento que executa com as mãos. ''O meu maior desejo é que tudo volte ao normal o quanto antes'', comenta, enquanto explica o quanto as sessões de fisioterapia e os exercícios diários estão ajudando na recuperação. Mas ele reconhece que já é um vitorioso. ''No momento do acidente, cheguei a pensar que nunca mais poderia pegar nada. Eu nem imaginava que as minhas mãos pudessem ser reimplantadas'', destaca.
No ano que começa, Degilânio vai passar por mais uma cirurgia para religar os tendões. Ele também espera que possa voltar a trabalhar. ''Tenho uma chance de ter uma vida nova em 2009. Com isso tudo que passei, aprendi que a união familiar e a paz são os maiores bens que qualquer pessoa pode ter. Quero aproveitar para desejar um feliz ano novo para todas as pessoas'', ressalta.
Um rim de presente
Em 2008, o mecânico Marcos Antônio Feltran ganhou, da esposa, o maior presente de sua vida: um rim. Graças à coragem e ao amor de Ana Lúcia Feltran, ele pôde deixar a rotina de hemodiálises realizadas três vezes por semana e uma série de privações alimentares para voltar a ter uma vida normal.
Marcos recebeu a notícia de que seus rins não estavam funcionando como deviam em 2005. ''Os médicos me explicaram que cada um deles cumpria apenas 4% da função total e eu devia começar a hemodiálise imediatamente. Minha esposa e eu choramos feito crianças. O interessante é que ela não titubeou em momento algum. Quando veio a explicação de que só o transplante poderia resolver o meu problema, no mesmo instante ela disse que seria a doadora'', rememora.
No entanto, antes seria necessário fazer todos os exames de compatibilidade e uma preparação para o procedimento cirúrgico. As primeiras a passar pelos exames foram as duas irmãs de Marcos. Os resultados foram bons, mas ambas apresentaram cálculos (pedras) renais, o que impossibilitou a doação. Já os testes de compatibilidade de Ana Lúcia indicaram que ela poderia ser a doadora.
O procedimento, feito pela equipe do urologista Horácio Alvarenga, aconteceu em novembro, na Santa Casa de Londrina. Depois de 15 dias de isolamento, quatro deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Marcos vai se recuperando bem. Já pode comer e beber de tudo, inclusive chocolate e refrigerante, as duas guloseimas das quais ele mais sentiu falta nos três anos de privações. A máscara continua sendo utilizada apenas para receber as visitas ou sair de casa.
''Em 2009 vou tocar a minha vida para frente. O que mais quero fazer é passear um pouco, pois a hemodiálise não me permitia sair de Londrina. Também vou voltar para o meu trabalho, sou mecânico desde os 11 anos e quero ter um filho, ou melhor, dois'', finaliza.


