'Uma campanha para desacreditar a Igreja'
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de maio de 2010
José Maria Mayrink <br>Agência Estado 
Brasília - Para o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, a divulgação de notícias sobre as denúncias de abuso sexual de menores cometidos por membros do clero católico em todo o mundo - ''uma verdadeira chaga'', como define - faz parte de ''uma campanha para desacreditar a Igreja''.
''Estamos sendo cobrados como se só nós tivéssemos esse pecado'', afirma o cardeal. ''Sabemos que esses casos não chegam a 1% dos 400 mil sacerdotes que existem no mundo. É uma abrangência baixa, pois dentro da própria família isso aumenta para mais de 10%. Outras categorias têm muito mais'', diz, sem citar fontes ou acrescentar detalhes.
''A Igreja não está querendo a absolvição de todos os réus'', continua. ''Aqueles que forem acusados devem ser submetidos a julgamento. O Direito Canônico prevê punições e existem tribunais eclesiásticos para verificar se a acusação é procedente.''
Dom Geraldo explica que o bispo da diocese que abre processo canônico para apurar acusações de pedofilia no clero só pode denunciar o caso às autoridades ''se ele fez uma investigação, um julgamento, e o padre foi considerado réu e responsável no processo em que está sendo julgado. Se o padre cometeu um crime, pode ser apresentado à lei do país.''
O cardeal esclarece que o bispo que faz a acusação deve participar do processo eclesiástico. ''Tem de mostrar a acusação documentada. A vítima não é obrigada pelo Direito Canônico, mas também não vai ser impedida de levar o caso a julgamento civil.''


