Até o dia 25 de novembro, os comerciantes do Quadrilátero Central de Londrina, limitado pelas Avenidas Juscelino Kubitschek, Leste-Oeste e Dez de Dezembro, deverão estar com as calçadas adequadas aos padrões propostos pela legislação da Prefeitura. Se depender das condições das calçadas, serviço é o que não vai faltar. Ao passar por muitas avenidas, é possível identificar calçadas irregulares, apresentando obstruções e principalmente a falta de piso tátil. E reclamações de pedestres não faltam.
''Praticamente o Centro todo está com essas calçadas quebradas. Mas aqui na Rua Sergipe, a coisa está ainda pior. Eu já virei o pé duas vezes nesses buracos, machuquei o joelho e ainda não estou totalmente recuperada'', desabafa a funcionária pública Maricilda Lopes, enquanto tentava desviar dos buracos ao sair de uma loja.
O auxiliar contábil Roberto Silvio comemora a obrigatoriedade da padronização das calçadas. ''Acho importante essa regularização, principalmente no que se refere ao espaço para o escoamento da água. Só acho estranho a prefeitura cobrar tanto dos comerciantes, empresários e moradores daqui, enquanto muitos prédios público continuam com as calçadas em um estado deplorável. Talvez, algo mude agora'', opina o auxiliar contábil, após atravessar a Rua Minas Gerais para caminhar pela outra calçada que estava com menos obstruções.
Comerciantes
''Eu não estava sabendo. Acho que tem que fazer sim (mudança), mas acho que não é uma responsabilidade do comerciante. Esse serviço deveria ser feito pela prefeitura'', defende Silvia Regina Guerreira, proprietária de um comércio de tintas na Rua Belo Horizonte.
Alípio Bernardo, comerciante na Rua Quintino Bocaiúva, compartilha da mesma opinião. Para ele, a adequação das calçadas é importante, mas reclama do prazo e diz que a prefeitura deveria disponibilizar a mão de obra. ''O tempo é muito curto, principalmente para quem precisa arrumar dinheiro para fazer o serviço. É um gasto extra'', reclama.
Segundo o arquiteto Eduardo Suzuki, com as normas de acessibilidade as calçadas ganharam mais importância pela sociedade. ''A iniciativa é válida, mas é claro que também existem situações no município de difícil adequação, como as Avenidas São Paulo e Rio de Janeiro que possuem uma declinidade íngreme e, por isso, muitas calçadas apresentam baixadas e ondulações'', explica.
Para ele, a questão do prazo deveria ser revista, pois considera ''um período muito apertado'' e o calçamento de terrenos não edificados, muitos de responsabilidade da prefeitura, também deveria ser cobrado.
Multa
O movimento que prevê a readequação, intitulado ''Calçada Caminhar Seguro'', foi idealizado pela Secretaria do Idoso e a Assessoria Especial Para Assuntos de Acessibilidade. De acordo com José Giuliangeli Castro, assessor Especial para Assuntos de Acessibilidade da prefeitura, o quadrilátero central teve como critério o volume de pessoas e a aglomeração comercial. Segundo ele, a ideia é que gradativamente o movimento seja aplicado em toda a cidade.
''Os comerciantes do quadrilátero central que não adequarem as calçadas até o prazo serão notificados e poderão ser multados de acordo com o dimensionamento da calçada. Em locais com 10 metros de comprimento, por exemplo, a multa será de R$ 1.900'', diz.
Questionado sobre as calçadas de responsabilidade da prefeitura, ele afirma que também deverão ser adequados, com exceção dos espaços tombados como patrimônio público, que seguem uma série de regulamentações. (Colaborou Fernanda Carreira)

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