''Não existem peças do nosso tamanho para compor o figurino e por isso temos que improvisar. O que não dá é para dançar sem entrar no clima.'' A afirmação é da jovem bailarina Giovana Boning Niero, 9 anos, se referindo ao hobby que começou há menos de um ano e já se tornou sua grande paixão. Diferentemente de muitas meninas de sua idade, Giovana decidiu inovar e optou por um estilo de dança diferente: o flamenco.
Pelo menos duas vezes por semana é assim. A menina sai da escola rapidinho e em questões de minutos se transforma em uma encantadora dançarina de flamenco. Com flores no cabelo, saia longa toda estampada e um bolerinho, a menina conta com a ajuda da mãe, a advogada Márcia Boning, para finalizar a maquiagem e compor o visual colorido, uma característica da dança.
Mãe e filha começaram a dançar na mesma época e, segundo Márcia, apesar de estarem em turmas diferentes, o hobby proporcionou um tempinho a mais só para as duas se curtirem. Segundo Márcia, após começar a dançar, a mãe já percebe a menina mais feliz, concentrada nas atividades diárias e até o desempenho na escola melhorou.
''Os professores me disseram que ela está mais atenta e consegue fixar mais o conteúdo. E eu fico muito feliz por saber, porque não imaginávamos que seriam tantos os benefícios, o objetivo inicial era colocá-la para fazer uma atividade física que melhorasse o condicionamento físico e a postura'', observou Márcia.
De acordo com a professora de dança flamenca Ana Paula Minari, o grupo infantil conta com aproximadamente 10 alunos, de 9 a 12 anos. Ana Paula conta que apesar da disciplina e da concentração exigidas para realizar os movimentos, as aulas são sempre uma grande brincadeira rítmica para as crianças. Elas se divertem com os movimentos do sapateado, do leque e das castanholas e têm a oportunidade de desenvolver a coordenação motora, rítmica e a sensibilidade, melhorar a postura, a flexibilidade, se socializar e perder a inibição.
''Acho que a dança cativa as crianças porque ela incentiva o espírito de cooperação, de amizade; aqui não tem espaço para competição. Todas sabem que são importantes para a beleza do espetáculo'', destaca a professora, que já coordenou várias apresentações infantis.
Agilidade
Para a aluna de dança Gabriely Godoy, 12 anos, foram os movimentos criativos e a rapidez das sequências rítmicas do jazz que a incentivaram a deixar o sedentarismo de lado, há alguns meses. ''Na época, eu estava totalmente parada. Me lembro que vim um dia com minha amiga e adorei a aula, quis começar logo em seguida'', menciona a garota, acrescentando que já se sente bem mais disposta para as atividades diárias. ''Com um mês de aula, eu já conseguia acompanhar todos os movimentos. Como a gente tem que pensar rápido para coordenar os movimentos e improvisar quando preciso, vocâ acaba ficando mais ágil para tudo.''
Segundo a professora de jazz, Tatiana Pimenta, da Escola de Dança Gesto's Ballet, cerca de 80 alunos compõem as turmas infantil e adolescente de jazz. As crianças têm idades que variam entre 7 a 12 anos. As aulas são realizadas duas vezes por semana por cerca de uma hora. De acordo com Tatiana, os alunos procuram as aulas de jazz geralmente para aprender as coreografias que veem em clipes de cantores populares, e acabam ficando por causa da diversão e do ritmo. ''Essa é uma atividade muito lúdica, que estimula a percepção de musicalidade, concentração, disciplina e ainda estimula o raciocínio rápido.''

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