Uma brincadeira que pode ter consequências sérias
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - No dia 30 de dezembro de 2011 foi registrado o último caso de vítima fatal no Paraná relacionado a acidentes com pipas que enroscam em cabos de energia elétrica da Copel. A ocorrência aconteceu no Conjunto Violin (zona norte de Londrina) e uma criança morreu eletrocutada porque usava fio de cobre na pipa. Na semana passada a reportagem esteve na região e encontrou garotos soltando pipas no Jardim São Jorge, perto das redes de transmissão da Copel, ignorando os riscos.
A prática não é isolada e restrita ao São Jorge. Basta um giro por diversos bairros para perceber que a pipa é a diversão mais difundida entre os jovens da periferia, provavelmente pelo preço acessível. A reportagem encontrou pipas sendo vendidas por R$ 0,50 em bazares. A Copel realizou uma série de palestras em diversos locais sobre quais as práticas seguras para evitar acidentes desse tipo. A atividade faz parte da Semana Nacional de Segurança com a Energia Elétrica, que terminou ontem.
Alertado pela reportagem sobre os perigos dessa brincadeira, os garotos do São Jorge afirmaram que geralmente soltam pipa em meio às plantações de trigo, em uma área mais descampada. Porém, naquele dia, resolveram soltar as pipas em frente à casa deles, confiando na habilidade para manter o brinquedo longe das linhas de transmissão. "Dependendo do dia, aqui no São Jorge dá mais pipa do que trigo", exagerou uma das crianças.
Os riscos de eletrocussão não são os únicos envolvidos nessa simples brincadeira. "No dia 27 de julho houve o corte de um cabo de energia na Vila Nova (área central) provocado por uma pipa. Várias residências ficaram sem energia na ocasião", destacou Daniele Ciotta, supervisora setor de segurança da Copel. Ela relatou que tentaram puxar a pipa e acabaram cortando um cabo de média tensão, que caiu em um veículo. "Isso provocou um curto-circuito e o cabo caiu energizado no chão." Segundo ela, eletricistas verificaram que a causa foi uma pipa porque ela ainda estava enroscada no cabo.
Sobre as palestras realizadas em escolas, Daniele explicou que a proposta é trabalhar a conscientização cada vez mais cedo, criando uma cultura do uso seguro de energia elétrica. "Essas crianças acabam repassando o que aprenderam para os pais dentro de casa, ou seja, elas se tornam disseminadoras", explicou.


