'Uma batalha de confetes'
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
O Calçadão de Londrina, no Centro da cidade, é fonte de muita polêmica e discussão principalmente após o início da reforma que é realizada pela prefeitura. A FOLHA conversou com o arquiteto que projetou o desenho formado pelas pedras do Calçadão, Hely Brêtas Barros, que atualmete divide seu tempo entre Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, e Londrina, onde trabalhou por 37 anos e desenvolveu vários projetos arquitetônicos.
Em pleno Calçadão, Brêtas lembrou como se deu a criação do local. ''Lembro quando o secretário de Obras da época pediu que eu elaborasse um desenho para o piso. Ele disse que chegariam na cidade dois volumes de pedras portuguesas, um preto e outro branco e que viria uma equipe de Blumenau (SC) para fazer a colocação'', disse.
O arquiteto contou que foi até sua prancheta e iniciou alguns esboços. ''Gosto das correntes entrelaçadas e esta foi a minha proposta'', afirmou Brêtas, que disse que o molde da figura em tamanho original foi feito pelo carpinteiro da prefeitura, com o objetivo de facilitar a colocação das pedras.
Hoje Brêtas diz que não consegue se acostumar com o piso, apesar de ser carioca e gostar de Carnaval. ''Andando aqui me sinto num salão de baile onde os confetes ficam espalhados pelo chão. Para mim isso é uma batalha de confetes'', disse.
Ele lembra que estava em Teresópolis quando ex-alunos lhe contaram sobre as mudanças no Calçadão e que ficou muito chateado quando se deparou com o piso colorido. ''Hoje quem olha este Calçadão não identifica Londrina. São Paulo tem um padrão de piso, Copacabana tem outro e Londrina também tinha. Antes, quando se via uma reportagem feita neste local, logo se identificava que era Londrina. Hoje isso não existe mais'', lamentou.
Para o arquiteto a marca da cidade vai acabar. ''Acho que deveriam ter sido mantidas duas cores para marcar o chão'', defendeu. Ele ainda afirmou que a durabilidade do piso atual não pode ser comparada a das pedras portuguesas. ''Este é um cimento poroso e sem travas. Daqui a pouco estará tudo soltando. Quem acabou com o piso original foi a própria prefeitura, que contratou empresas com lava-jatos para fazer a limpeza e a força da água retirou todo o cimento que mantinha as pedras no lugar'', disse.
Ele destaca que o município poderia ter optado pelo piso de ladrilho hidráulico. ''Seria uma forma de manter o contraste de cor e o padrão, além de facilitar o trânsito das pessoas'', sugeriu.
O arquiteto criticou ainda a fonte feita na primeira quadra do Calçadão, entre as ruas Hugo Cabral e Pernambuco. ''Sempre que venho aqui está desligada e quando ligam existe um jato altíssimo e outros baixinhos, fora de proporção. As fontes na Europa funcionam há centenas de anos e esta está sempre seca'', finalizou Brêtas.


