Uma aventura no outro lado do Globo
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sábado, 30 de junho de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
De graça não foi, porque o londrinense Marcos Okamura Rodrigues, 15 anos, trabalhou muito para conseguir ser selecionado. Mas o fato é que o estudante prodígio foi um dos dois selecionados pela Fundação Japão a passar 15 dias do outro lado do mundo com tudo pago. Ele embarca hoje e seu medo é um só: encarar o Boeing que vai levá-lo para esta aventura. Na sexta-feira, o menino ganhou uma despedida, com direito a sukiyake, dos colegas do curso de língua japonesa.
Marcos ganhou o prêmio da Fundação Japão, oferecido anualmente apenas aos dois melhores alunos do ensino médio de escolas públicas do Paraná e São Paulo - onde estão as maiores colônias de descentes de japoneses no Brasil - e que tenham conhecimento da língua japonesa.
Há um ano e meio, o estudante do segundo ano do ensino médio do Colégio Ubedulha de Oliveira (Zona Norte) frequenta as aulas de japonês oferecidas pelo Centro de Estudos de Língua Estrangeira Moderna (Celem) do Colégio Estadual Vicente Rijo, onde soube da premiação. Fez a inscrição, enfrentou entrevistas, teve o currículo escolar avaliado e há um mês recebeu a notícia de que iria passar 15 dias em Osaka.
Já com as passagens nas mãos, o adolescente diz que não esperava ser o escolhido porque concorria com estudantes de outros cursinhos que poderiam ter se saído bem melhor que ele. Acabou faturando a aventura mas não esconde a insegurança. ''Estou bem ansioso esperando o vôo. Meu único medo é justamente a hora do embarque no Aeroporto de São Paulo'', confessa Marcos, que nunca subiu em um avião na vida.
No Japão, ele vai visitar Tókio, Hiroshima e Kyoto. O garoto só não pensa em fazer como milhares de descendentes de japoneses todos os anos, que voltam a terra dos antepassados buscando melhorar de vida. ''Só vou para lá para trabalhar na área que eu quero seguir, que é informática'', garante o estudante.
O sucesso do filho, no entanto, não foi surpresa para os pais, Antônio José Rodrigues e Keiko Okamura Rodrigues. Eles contam que o caçula - eles têm mais dois filhos: Danielli, 23, e Fernando, de 18 - sempre colecionou prêmios escolares. ''Ele já saiu da pré-escola sabendo a tabuada inteira'', recorda o pai.
Já a mãe acha que o menino deve ter herdado um pouco da sabedoria da bisavó, Takako Ono, 84, que foi professora de japonês em Assaí e Londrina. Ela faleceu há sete anos mas deixou preservada a ''semente'' que está germinando com Marcos.
A mãe ressalta que os avós maternos, Tadashi e Tokie, também tiveram papel importante, pois sempre incentivaram que os filhos aprendessem a língua japonesa. Problema mesmo, os pais só vêem um: ''o Marcos nunca ficou longe tanto tempo e isso vai ser um pouco difícil''.


