Localizada em uma das regiões de Londrina que mais se desenvolveu nas últimas décadas, a Avenida Francisco Gabriel Arruda, no bairro Parigot 1, começa e termina em outras duas vias famosas: Winston Churchill – principal via de ligação entre o Centro e a Zona Norte – e Saul Elkind – importante via comercial fora da Região Central. Não menos conhecida, a avenida de 1,2 quilômetro de extensão cresceu consideravelmente e hoje, além das casas residenciais, abriga vários estabelecimentos como lojas de depósitos, sacolão, padaria, açougue, salões de beleza, lanchonetes e até mercados de médio porte.
  ‘‘Logo que instalaram luz e água encanada, eu me mudei pra cá. Aqui não tinha nada, era tudo mato. Na frente era plantação trigo, arroz e na parte de trás da rua tinha um cafezal’’, recorda-se Teresinha Geraldina Lopes Moreira, que ainda fica admirada com o desenvolvimento da região. Costureira e há quase 30 anos morando na avenida, ela diz que, apesar de estar mais barulhenta do que anos atrás, ainda assim é um local tranqüilo de morar. ‘‘Agora eu encontro tudo o que preciso: farmácia, mercado, banco. E vou de um lugar a outro a pé. Se tiver que ir ao Centro da cidade, tem um ponto de ônibus do outro lado da rua de casa’’, brinca.
  No inicio da década de 80, o aumento no número de conjuntos habitacionais na Região Norte fez que várias famílias começassem uma história ali. Foi assim com Aparecido Ferrari, que se mudou da Vila Industrial e há 20 anos é morador do Parigot, onde teve seus filhos. Com um negócio próprio que funciona na parte da frente de sua casa, o comerciante vende desde presentes a roupas em seu bazar. ‘‘Apesar do crescimento da avenida, a vizinhança toda é antiga e de confiança. Faz dez anos que tenho a loja e ainda hoje vendo ‘fiado’. Marco tudo no caderninho para pagarem depois.’’. E Ferrari não se cansa de dizer: ‘‘É o melhor lugar para morar’’.
  Tanta paixão e orgulho pela avenida dão o tom das pessoas que moram e trabalham na Francisco Gabriel Arruda. Enedina Gonçalves da Silva, 60 anos, é mais conhecida como Dina cabeleireira. Ela tem um pequeno salão de beleza, que funciona o dia todo. ‘‘Mesmo que não tenha cliente marcado, chego aqui de manhã cedo. É só abrir que as pessoas vão entrando. Mesmo com a concorrência que veio depois, não posso reclamar da clientela, que permanece fiel’’, afirma.
  Dina conduz o estabelecimento há apenas seis anos, mas já passou por vários ramos até ter seu negócio. ‘‘Fiquei viúva muito cedo, com quatro filhos pra criar. O jeito era me virar como dava. Trabalhava fora e por conta. Antes de ter o salão, já cortei muito cabelo debaixo das árvores do bairro. E tem gente daquela época que vem aqui até hoje’’, lembra ela, que há três décadas mora no Parigot.
  O homenageado, Francisco Gabriel Arruda, o Chicão, nasceu no Rio de Janeiro e chegou a Londrina na década de 40, quando trabalhou nas Casas Fuganti. Mais tarde, atuou vendendo lotes de terra. Alguns anos depois, morou e casou em Jaguapitã, onde nasceram os quatro filhos, todos jornalistas. Voltou a Londrina no final dos anos 60. Ele morreu em 1980 aos 66 anos.

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