Uma aula sobre doação de órgãos
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Ontem pela manhã, médico, enfermeiros e uma psicóloga do Hospital Evangélico (HE) de Londrina trocaram de papel com o professor e deram uma aula especial para os alunos do 9º ano do Colégio Universitário.
Os profissionais promoveram uma dinâmica com os adolescentes e esclarecem os pontos mais importantes sobre a doação de órgãos. ''Uma das dificuldades que enfrentamos no hospital é o momento da abordagem sobre a doação porque muitas vezes a família não tem conhecimento sobre o assunto. E por ser um tema muito velado, resolvemos fazer essa parceira com o colégio, pois o adolescente é multiplicador. Ele vai acabar conversando sobre isso em casa'', comenta a psicóloga do HE, Jacqueline Queirolo.
A aluna Isabela Kakizuko Hirabara, de 14 anos, provou o quanto o assunto é polêmico e cercado de dúvidas ao fazer questionamentos antes mesmo da palestra começar. ''Eu perguntei se a gente podia doar os órgãos só depois de morrer'', diz a estudante, que aprovou a lição do dia. ''É muito bom porque existem muitas opiniões erradas sobre o assunto e com essa visita nós conseguimos esclarecer muitos pontos'', afirma.
Além do aprendizado, o estudante Victor Hugo Salmaso Trelha, 14, diz que a presença da equipe hospitalar na escola ''fez muita gente refletir sobre o tema'', como ele próprio, que garantiu que levará o assunto para casa e até manifestou a vontade de ser doador. ''Temos que pensar que ao doar um órgão estaremos ajudando muitas pessoas a ter uma vida inteira pela frente'', ressalta.
A prova de que Victor Hugo está coberto de razão é a vida que Jhonatan Alves Freitas leva hoje, aos 19 anos. Nascido em Londrina, o arte-finalista precisou de um novo coração quanto tinha apenas 2 anos. ''Nasci com um inchaço no coração no lado direito e precisei de um transplante com urgência. A minha sorte é que surgiu um doador'', revela o jovem, que aguarda ansioso o nascimento da primeira filha. ''Levo uma vida normal. Trabalho, estudo e faço musculação. Estou até pensando em cursar Ciências do Esporte'', comenta.
Em vez de se considerar uma pessoa de sorte, Freitas acredita na esperança. ''Conheço muita gente que está na fila para um transplante e sempre digo a elas que o mais importante é acreditar em Deus. E para as pessoas que ainda não são declaradas doadoras, falo que elas precisam se colocar sempre no lugar daqueles que esperam por um órgão. Por que não salvar uma vida?'', indaga.
Desinformação
A ação promovida pelo hospital faz parte da Semana Nacional de Doação de Órgãos, comemorada entre 25 e 29 de setembro. Segundo o médico neurocirurgião Marcos Dias, coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HE, a desinformação é a maior dificuldade existente quando se trata de doação do órgãos.
''Ainda existe, dentro da sociedade brasileira, muita desinformação sobre o assunto ou até mesmo informações desencontradas. Então, nosso trabalho é esclarecer todas as dúvidas, principalmente no que se refere à morte cerebral. Hoje, entende-se que não existe só a morte quando o coração para, mas também quando o cérebro não funciona mais'', salienta.
Presente em todos os hospitais credenciados a captar órgãos para transplante, o CIHDOTT é uma comissão multidisciplinar com cerca de 12 profissionais entre médico, assistentes sociais e psicólogos, treinados especificamente para abordar as famílias na questão de doação e supervisionar todo o processo para que não haja nenhum tipo de falha ou qualquer ilegalidade.



