Os calouros do curso de Arquitetura mal podiam imaginar a semana que teriam pela frente quando levantaram da cama, na manhã de ontem, para o primeiro dia de aula na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Após a entrega da relação com o horário das aulas, teve início a semana de trote, com direito a tinta na cara, farinha nos cabelos e gincana cultural.
Os veteranos do segundo ano dedicaram parte das férias à confecção de um kit para recepcionar os novatos. Camiseta, caneca, chaveiro e adesivo de Arquitetura, além de um manual com informações da universidade, do curso, telefones de imobiliárias, tabela de horário de ônibus e endereços de restaurantes - tudo em forma de história em quadrinhos - fazem parte do ''pacote de sobrevivência''.
''A gente sentiu falta de diversas informações quando era calouro e decidiu responder no caderno todas as dúvidas que tivemos no ano passado'', disse o veterano Bruno Domingos. Segundo ele, além da aula inaugural, os ''bichos'' assistirão a uma palestra sobre arquitetura sustentável e farão um tour histórico pela cidade. O fim do trote solidário culminará numa festa no final de semana. ''Todo o dinheiro arrecadado nos kits será esgotado nas atividades da semana de trote'', completou.
André Saito, companheiro de sala de Bruno, contou que os alunos do segundo ano se dividiram em comissões para organizar a recepção dos calouros e que a maioria dos estudantes colaborou com a gincana. ''É gratificante poder ajudar. Os pais adoraram o manual e os calouros agradecem, pois sabem que não ficarão perdidos.''
''O trote serve para que os alunos se conheçam e se envolvam com o curso. É um momento de brincar, perder a vergonha'', opinou o estudante Bruno Domingos. Segundo ele, os novatos não são obrigados a fazer nada que não queiram, mas muitos pedem para ser pintados, por exemplo. ''É um sinal de sucesso'', justificou André Saito.
A universidade incentiva a recepção criativa dos estudantes. Uma resolução da reitoria impede o trote constrangedor no campus e fora dele e ainda disponibiliza duas linhas telefônicas para denúncias de abusos. Os alunos que se sentirem ameaçados podem reclamar, mas devem se identificar e fornecer também o nome do agressor.
Mas nem só os futuros arquitetos tiveram direito a trote no primeiro dia na faculdade. Ontem, mais de três mil novos alunos dos 42 cursos oferecidos pela UEL foram recepcionados pelos 11 mil veteranos e o que se via no campus era pura descontração e tranquilidade, já que o trote violento é expressamente proibido pela reitoria dentro e fora da universidade.
O pessoal do curso de Ciências Biológicas preparou para os calouros uma palestra sobre os desafios da biologia para o século 21. Lançamento de livro, visita ao viveiro de mudas e à Mata dos Godoy e plantio de mudas completam as atividades da semana do trote. Os veteranos de Biomedicina também prepararam uma gincana para promover a integração com os calouros, além de um trote solidário, com a visita a um asilo.
Sob o tema Calouro Solidário, os alunos dos cursos de Medicina, Farmácia, Fisioterapia, Enfermagem e Odontologia recepcionaram os ''bichos'' no Hospital Universitário (HU) com palestras e gincanas para arrecadação de alimentos e produtos a serem doados ao Programa de Voluntariado do HU.
Durante toda a semana, a universidade organizará atividades gratuitas para receber os estudantes, como um show da banda Terra Celta no pátio do restaurante universitário, ao meio-dia de amanhã, e uma apresentação da banda de músicos de Londrina na próxima quinta. Ainda ontem, o anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) foi liberado para o uso, depois de dois anos de reformas desde a queda da marquise. A cerimônia oficial de abertura do anfieatro, no entanto, acontecerá somente no dia 10 de março, com a presença de diretores de centros de estudo, pró-reitores e conselheiros da universidade, que assistirão a um culto ecumênico.

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