Uma atividade saudável e prazerosa
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Implantado em 2010, o programa de Hortas Comunitárias colhe bons frutos em alguns bairros de Londrina. Apesar do projeto ser uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a comunidade de cada região, são os próprios moradores os responsáveis pelo cultivo dos alimentos.
Ao percorrer a cidade, a equipe da FOLHA encontrou hortas dignas de serem admiradas pela abundância e qualidade de verduras e legumes, que recebem apenas água, adubo orgânico e muito carinho.
Essa é a fórmula encontrada pelos moradores que possuem um canteiro em uma das 46 hortas comunitárias implantadas em praças e fundos de vale. ''Peguei um canteiro para cuidar há nove meses, como uma ocupação. Hoje, sinto falta quando não venho aqui'', conta a dona de casa Geni de Oliveira Santos, de 50 anos.
Moradora do Jardim Ideal, na zona leste, Geni fica satisfeita em saber que a família come verduras saudáveis e fresquinhas, mas a satisfação maior é, segundo ela, ver o canteiro ''verdinho'' e bem cuidado. ''As pessoas já conhecem meu alface e garanto que meu canteiro chama a atenção. Tudo isso porque eu peguei amor por esse trabalho'', diz ela, que dedica 4 horas por dia na horta. ''Tiro os matinhos, rego as mudas e fico conversando com as plantinhas. Essa é a melhor parte'', brinca, aos risos.
Outro ponto considerado importante pelos cultivadores é a fonte de renda extra. Dona Geni, por exemplo, chega a vender 150 pés de alface por semana. ''É um dinheiro que ganho para mim. Dentro de um mês, que é o tempo para eles estarem prontos para o consumo, começo tudo outra vez'', comenta.
Debaixo de chuva
No Jardim Primavera, na zona norte, Nardo João Cesário, de 59 anos, conseguiu fazer um bom negócio com a venda das verduras. ''Fui vendendo pelo bairro e consegui perto de R$ 300. O canteiro estava abandonado porque ninguém cuidava direito. Agora, eu e mais alguns amigos estamos empenhados'', revela o aposentado, que passa quatro horas por dia limpando a terra, colocando adubo orgânico e regando as mudas, que já estão florescendo. ''Venho até debaixo de chuva para aproveitar a terra molhada. Me sinto realizado fazendo isso, pois além de ser um trabalho, dá para pagar a água, luz e o pão do dia'', contabiliza.
Já para Maria Aparecida Martins, de 56 anos, a seriedade no cultivo de couve, cebola, salsinha, almeirão e pimenta não é justificada pelo retorno financeiro. Para ela que sempre trabalhou na lavoura, a atividade é uma distração e lazer. ''Quando surgiu o projeto, pensei na hora: isso vai ser minha terapia'', lembra Maria, ao exibir o canteiro de couve. ''Minhas plantinhas estão lindas. Tem que ter muito carinho e dedicação. Eu gosto tanto de mexer na terra que o dia que não posso vir me sinto doente'', diz a moradora da Vila Industrial, na zona oeste.
Colorido
As hortas comunitárias bem cuidadas se tornam um atrativo para muitos clientes. O colorido das verduras e a organização dos locais chamam a atenção de quem passa por elas, que acaba aproveitando para levar hortaliças fresquinhas para casa.
''Estava passando e vi que a horta está muito bonita. Resolvi levar uns pés de alface para casa'', diz Alair Oliveira, funcionário público aposentado. Ele, que está acostumado a consumir alimentos das hortas próximas à sua residência, aprova o programa. ''A ideia é muito boa, que só traz benefícios''.
Prova disso é o movimento na horta do Conjunto Roseira, na zona sul. Segundo José Mendes Cardoso, de 66 anos, que cuida de 12 canteiros há sete meses, muitas pessoas vêm de longe para comprar verduras. ''É um bom negócio para todo mundo. Comecei para me distrair, como um passatempo mesmo e agora, é a hora do dia que mais gosto'', acrescenta o aposentado, ao revelar o segredo de suas plantações. ''Tem que adubar''.
Mas a comercialização das hortaliças é apenas uma consequência. José planta para garantir alimentos saudáveis para amigos e familiares e também, porque gosta de ambiente das hortas. ''Fiz muitas amizades. A gente fica conversando e dando risada. Cada um cuidando do seu pedacinho de terra'', explica.


