Uma atitude para mudar o destino de jovens
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Cambé - A dona de casa Marinalva da Silva Santos, 45 anos, não trabalha fora desde o nascimento do filho mais novo, há um ano. Quer voltar a ajudar no sustento da casa. Sabe, porém, que ter mais tempo para cuidar dos filhos é uma vantagem. Além de acompanhar de perto os primeiros passos do pequeno Mateus, tem um contato mais constante com o mais velho, Alexandre, 12. Pode, inclusive, levá-lo para a escola, o que a deixa mais tranquila por não deixar o adolescente exposto aos riscos das ruas, como a violência.
E é justamente este tipo de ameaça que um projeto do governo estadual, em parceria com prefeituras, quer combater. Trata-se do Programa Atitude, uma iniciativa da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude (Secj) que tem como meta a superação das violências contra crianças e adolescentes no Paraná. Cambé (Norte) é uma das 10 cidades escolhidas para receber as ações na primeira etapa do programa. As outras são Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa, Sarandi, Almirante Tamandaré, Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais. O critério de escolha foram os índices de violência, mortalidade e número de adolescentes apreendidos.
O trabalho é organizado por núcleos. Em Cambé, os bairros eleitos são os jardins Ana Rosa e Novo Bandeirantes. Londrina terá cinco núcleos. Na tarde da última sexta-feira centenas de crianças do Ana Rosa participaram de atividades recreativas e esportivas no ginásio de esportes do bairro. O evento serviu para marcar o lançamento do Programa Atitude na localidade.
E foi esse movimento que levou a família de Marinalva Santos a sair de casa e acompanhar os jogos e brincadeiras promovidos por profissionais contratados pelo Estado e pelo município. O que mais chamou a atenção de Alexandre foi a oficina de grafite, que vem de encontro ao interesse profissional do jovem, que sonha trabalhar como desenhista. ''Quando fico em casa não tenho muito o que fazer. Quero participar da oficina de grafite'', afirma.
Os participantes serão selecionados de acordo com a situação de risco. Segundo Angela Cristina Pascueto Amaral, secretária municipal de Assistência Social, ''o objetivo é integrar todas as áreas de atendimento da rede de serviço. A proposta é sair da teoria do trabalho articulado e avançar na prática'', destaca.
Para isso, são formados os núcleos de atendimento, que contam com professores de educação física, assistentes sociais, cientistas sociais, psicólogos, arte-educadores e estagiários. As atividades previstas são cursos profissionalizantes, atividades esportivas, oficinas de arte circense, entre outras. O jovem poderá também ser encaminhado pela rede de atendimento, incluindo as Unidades Básicas de Saúde.
Em Cambé, a administração municipal vai manter também um Centro de Proteção, com sede no Centro da cidade, para atendimento das crianças e adolescentes em risco de violência. O encaminhamento para o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) também será feito para os casos que exigirem atendimento individualizado.
Segundo a coordenadora estadual do Programa Atitude para Cambé, Neuzeli Bertola, o investimento do governo na cidade é de R$ 2 milhões. A duração do convênio é de dois anos. ''O objetivo é estar perto da comunidade, promover atividades de seu interesse e assim criar vínculo entre os profissionais do Atitude e os jovens do bairro'', enfatiza.


