No Paraná, Tibagi é uma cidade que fica a 200 quilômetros de Curitiba, fundada em 1872, em torno das corredeiras onde se garimpava diamantes. É também a segunda bacia mais importante do Estado. Na língua tupi, significa rio de água corrente. Em Londrina, é a rua comercial da Vila Recreio, um dos bairros mais antigos da cidade.
Na memória do aposentado Miguel Franco Piai, 78 anos, a primeira imagem da Rua Tibagi é um mamonal, com quatro ou cinco ranchos de madeira, iluminados com lamparina, em 1957. Mais de 40 anos de sua vida passaram-se ali. Disposto e falante, Piai orgulha-se de conhecer a vizinhança e suas ligações com o bairro.
''Até a década de 70, o padeiro trazia de longe o pão e o leite de garrafa e deixava numa caixa de madeira, estrategicamente construída na frente de cada casa. O veículo ainda era carroça e a água vinha de poço artesanal mesmo'', lembra o aposentado.
Piai é um dos idosos mais assíduos da farmácia Madre Leônia, sonho antigo de Marcia Andréia Dias, 36 anos. Localizada na esquina das ruas Tibagi e Tamanduateí, o local é mais que loja de medicamentos. No dia-a-dia, tornou-se parada obrigatória de muitos velhinhos. ''Alguns vêem quatro ou cinco vezes por dia. Um deles, nunca esquece de mim quando vai à padaria comprar pão quentinho. Conversa vai e conversa vem, eles abrem o coração, desabafam e até esquecem de levar o remédio. Gosto muito da terceira idade e acertei quando escolhi trabalhar aqui. Sou uma filha para eles e isso é muito bom'', revela Marcia, que também mudou-se com o marido para o bairro.
Nos 11 quarteirões da Tibagi funcionam também: bazar, vidraçaria, consultório odontológico, pastelaria e vários salões de beleza. Suas extremidades indicam os limites com outros bairros. Os eventos oficiais acontecem na pracinha e a distração é bater papo na calçada. À noite, os moradores acostumaram-se a trancar suas casas para escapar dos roubos. Abrem as portas somente para os católicos, que aproveitam o horário para rezar e se confraternizar.

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