Uma ameaça à saúde pública
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Hoje, no Dia Mundial da Sepse, a população em geral e profissionais da saúde realizam uma campanha de esclarecimento sobre esse importante problema de saúde pública, que mata mais de 30 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.
Só no Brasil, segundo os dados da Global Sepsis Alliance (GSA), Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas) e Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), são registrados 400 mil casos de sepse (infecção generalizada) grave anualmente, com uma estimativa de 55% de pacientes que não resistem e vão a óbito.
''Mais importante que falar sobre prevenção, é fazer um alerta à população leiga e aos profissionais da saúde de que o tratamento da sepse tem que ser encarado como um tratamento de emergência. Quanto mais cedo começar o tratamento, maior a chance de recuperação'', salienta Cintia Grion, médica intensivista nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU) e Hospital Evangélico (HE) e presidente da Sociedade Regional da AMIB em Londrina.
Ao afirmar que a sepse é desconhecida por grande parte da população, Cintia faz uma ressalva, destacando que os casos são extremamente frequentes em pacientes internados, principalmente aqueles em estado grave, atendidos nas UTIs.
''A incidência da sepse nas UTIs de países em desenvolvimento chega a atingir uma taxa de 50% do número de total de leitos. Isso porque há um alto índice de pacientes em grande parte dos hospitais, principalmente os brasileiros'', aponta a médica.
De acordo com Cintia, na UTI do HU, um estudo publicado com a avaliação da população internada no ano de 2005, revelou que a taxa de frequência da sepse era de 50%. Porém, recentemente, a incidência vem aumentando, chegando perto de 70%. ''Hoje, temos 17 leitos na UTI e pelo menos metade está com quadro compatível para definição de sepse'', revela.
Definição
A sepse é uma infecção que acomete crianças prematuras, idosos acima de 65 anos e pacientes em estado vulnerável, como vítimas de trauma, portadores de HIV etc. A médica intensivista explica que ela pode ser desencadeada por uma bactéria que se generaliza, mas a própria reação do organismo pode ser tão exuberante que pode resultar na lesão de outros órgãos.
Na maioria dos casos, o paciente pode apresentar febre muito alta, respiração ofegante, falta de ar, muita sonolência e fraqueza. Nessas situações, a infecção deve ser investigada por um profissional.
Vale lembrar que a sepse pode ocorrer tanto em ambiente hospitalar ou comunitário. Um exemplo de infecção comunitária foi a pandemia de Influenza do vírus H1N1, em 2009. ''A diferença entre a hospitalar e a comunitária é só o local onde se adquire a infecção. O que muda é o agente infeccioso, que pode ser bactéria, vírus, protozoário etc.'', explica.



