Um vôo complicado define opção
A Pastoral da Terceira Idade surgiu de um vôo complicado que, segundo o geriatra, foi um ''desígnio de Deus''. Há 10 anos, Lima era presidente da Sociedade de Geriatria do Paraná. Embarcou num vôo até Curitiba, onde ia presidir um congresso brasileiro de profissionais da área. O avião subiu, mas, devido ao teto, não aterrissava. ''Rodou o Paraná todo e não descia'', relembra. ''Foi até Curitiba e não desceu, foi até Foz do Iguaçu e não desceu, foi à Londrina e não desceu, teve que descer em Maringá''.
O médico ficou com um medo danado de que a aeronave fosse cair. Mas a mulher que estava ao seu lado procurou acalmá-lo. ''Não tenha medo, eu vivo subindo e descendo de aviões, sem problema nenhum'', ela falou. Depois do desembarque, apresentou-se: era Zilda Arns, a coordenadora nacional da Pastoral da Criança. Vinha de Florestópolis, onde participou de comemorações dos 10 anos da pastoral. Zilda sabia do congresso de geriatria em Curitiba, mas não que Lima presidiria o evento. ''Daqui a alguns dias, o senhor vai ter que escolher entre a igreja e a ciência'', ela lembrou então.
Zilda tinha razão. O dilema surgiu exatamente 90 dias depois. Os amigos geriatras queriam que o médico continuasse na área política da especialidade. Mas ao mesmo tempo, a igreja o convidou para começar o trabalho com a terceira idade, que tinha desenvolvido a ação incial com a diocese de Cornélio Procópio. A Pastoral da Criança deu apoio à mobilização, que hoje se chama hoje Ação Terceira Idade da Pastoral da Criança, que acompanha 25 mil idosos em todo o país.





