Maio é o mês internacional de combate ao melanoma, o tipo de câncer de pele mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que em 2016 o Paraná registre 620 novos casos de carcinoma melanoma, o tipo mais agressivo. A incidência é de 5,39 casos por 100 mil habitantes entre os homens e 5,59 entre as mulheres. A região Sudeste do Brasil é a que apresenta maior número de carcinoma melanoma com estimativa de 2.260 novos casos por ano, seguida da Sul, com 1.950 novos casos.
O câncer de pele é o mais frequente no Brasil e é dividido em melanoma e não melanoma. Dos 600 mil novos casos de neoplasias malignas previstas para este ano, 32% serão de pele e, destes, apenas 5% serão melanoma. As maiores ocorrências são de carcinoma basocelular e espinocelular.
Apesar da incidência ser baixa, o melanoma preocupa dos médicos pela agressividade e o potencial de espalhar o tumor por outros órgãos. Os não melanomas não produzem metástase, mas têm um alto poder de destruição do local onde se instalam.
A grande ocorrência de melanoma nas regiões Sul e Sudeste está associada à genética e exposição solar. O chefe da Divisão de Dermatologia do Inca, Dolival Lobão, explica que a descendência europeia, com população de pele mais branca, favorece o surgimento da neoplasia. "Quanto mais escura a pele, mais melanina ela tem e mais protegida dos raios ultravioleta do sol, por isso as regiões Norte e Nordeste têm menos casos", disse.

QUATRO LETRAS
O melanoma é silencioso. Pode demorar mais de 15 anos para se manifestar. Na fase inicial, pode parecer uma pinta escura. Como o paciente não sente dor, coceira ou qualquer outro sintomas, os médicos criaram um método de quatro letras (A, B, C e D) ajudar no diagnóstico.
A letra A é de assimétrica. É preciso ficar atento à pintas e manchas que não têm forma definida. O B vem de bordas irregulares, o C se refere à cor - pintas com mais de uma cor não são normais. O D é de diâmetro. Qualquer pinta ou mancha com mais de seis milímetros é suspeita. "É importante o paciente consultar um dermatologista a cada seis meses", orientou Lobão.
Quando diagnosticado no início, a chance de cura é de 100%. O oncologista Flávio Henrique Pereira Conte, do Hospital do Câncer de Londrina, explicou que em lesões com menos de 0,75 milímetros de espessura basta a retirada do tumor. Acima disto, o paciente pode precisar de quimioterapia. "Há tumores, em estágio avançado, com quatro ou cinco centímetros. Esses são perigosos porque são mais profundos e podem desenvolver metástase", disse Conte.
O HC de Londrina está fazendo um levantamento do número de casos de câncer de pele na região. A expectativa de Conte, responsável pelo trabalho, é em dois anos ter uma estimativa.

PREVENÇÃO
Nos últimos 10 anos, em função das séries de campanhas de orientação sobre o câncer de pele, os pacientes têm procurado atendimento cada vez mais cedo. "A população está mais esclarecida e tem mais acesso ao dermatologista", comentou o oncologista.
A Associação Brasileira de Dermatologia e o Inca costumam intensificar as campanhas no começo do verão, mas o mês de maio foi instituído como mês de alerta e prevenção sobre o câncer de pele e o melanoma.
O câncer de pele pode ser prevenido, evitando a exposição ao sol no horário das 10 às 16 horas, uso de filtros solares, chapéu, guarda-sol, óculos escuros. "A pele nunca esquece uma agressão. E qualquer agressão vai ter um preço, seja um envelhecimento precoce ou câncer", afirmou o dermatologista.

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