Um urutau na esquina de casa
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sábado, 01 de novembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Há mais de uma semana, uma ave rara abrigou-se em uma árvore na esquina das ruas Urbano Duarte e Libero Badaró, ao lado da casa da família Serman, na Região Central de Londrina.
O pássaro, chamado urutau, é conhecido por camuflar-se nos troncos e galhos das árvores, tornando-se imperceptível aos olhos menos atentos.
Foi o guarda que viu e comentou. Nunca tinha visto essa ave, só na tevê, revelou Regina Serman. A presença do urutau tornou-se um verdadeiro acontecimento na vida dessa família: Regina entrou para uma comunidade no Orkut sobre o pássaro, e seu sobrinho Rodrigo, 23 anos, não só fez uma vasta pesquisa na internet como passou a ir observar o urutau pelo menos três vezes por dia às vezes, até de madrugada.
Esta ave de hábitos noturnos chama a atenção justamente pelo fato de saber se esconder. Sempre imóvel na extremidade de um galho, facilmente se confunde, como se fosse uma extensão da madeira. Mas não é só isso. Sua cabeça chata, o bico pequeno, a coloração meio cinzenta e o canto que mais se assemelha a um grito ou um choro motivaram lendas bastante curiosas a seu respeito. Para uns, tem aparência assustadora, para outros, é um sinal de boa sorte, comentou Rodrigo, que prefere acreditar nos bons presságios. Como é um pássaro de difícil identificação, dizem que quem vê é abençoado. Eu já fui lá e fiz um pedido, mentalizei coisas positivas, confessa.
Segundo Regina, não raro outras aves diferentes freqüentam a praça em frente a sua casa. Vira e mexe aparece um pica-pau, um joão-de-barro, comenta, revelando-se uma amante da natureza. Seu amor pelos animais é tanto que Regina conta que já tirou da rua uma cachorra cheia de sarna, adotando-a.
Pelo jeito, a família (que gentilmente providenciou escada, quebrou galhos do pé de acerola para facilitar o acesso do fotógrafo e ainda ofereceu água e uma boa conversa) valoriza mesmo os pequenos gestos e acontecimentos para viver bem. É muito importante a gente dar importância para essas coisas que, na correria do dia-a-dia, ficam para segundo plano, afirma Rodrigo, acrescentando que talvez não tenha outra oportunidade na sua vida de observar de perto outro animal desse. É raro, místico, mítico. Me considero abençoado por ter um urutau na esquina da minha casa.
Segundo informações da Força Verde, não é possível fazer a captura desse animal (nem mesmo a própria polícia) sob pena de incorrer em crime ambiental. Assim, o urutau, embora perdido na zona urbana, pelo menos ainda mantém garantida a sua liberdade, para a alegria da vizinhança.


