Há mais de uma semana, uma ave rara abrigou-se em uma árvore na esquina das ruas Urbano Duarte e Libero Badaró, ao lado da casa da família Serman, na Região Central de Londrina.
O pássaro, chamado urutau, é conhecido por camuflar-se nos troncos e galhos das árvores, tornando-se imperceptível aos olhos menos atentos.
  ‘‘Foi o guarda que viu e comentou. Nunca tinha visto essa ave, só na tev꒒, revelou Regina Serman. A presença do urutau tornou-se um verdadeiro acontecimento na vida dessa família: Regina entrou para uma comunidade no Orkut sobre o pássaro, e seu sobrinho Rodrigo, 23 anos, não só fez uma vasta pesquisa na internet como passou a ir observar o urutau pelo menos três vezes por dia – às vezes, até de madrugada.
  Esta ave de hábitos noturnos chama a atenção justamente pelo fato de saber se esconder. Sempre imóvel na extremidade de um galho, facilmente se confunde, como se fosse uma extensão da madeira. Mas não é só isso. Sua cabeça chata, o bico pequeno, a coloração meio cinzenta e o canto que mais se assemelha a um grito ou um choro motivaram lendas bastante curiosas a seu respeito. ‘‘Para uns, tem aparência assustadora, para outros, é um sinal de boa sorte’’, comentou Rodrigo, que prefere acreditar nos bons presságios. ‘‘Como é um pássaro de difícil identificação, dizem que quem vê é abençoado. Eu já fui lá e fiz um pedido, mentalizei coisas positivas’’, confessa.
  Segundo Regina, não raro outras aves diferentes freqüentam a praça em frente a sua casa. ‘‘Vira e mexe aparece um pica-pau, um joão-de-barro’’, comenta, revelando-se uma amante da natureza. Seu amor pelos animais é tanto que Regina conta que já tirou da rua uma cachorra cheia de sarna, adotando-a.
  Pelo jeito, a família (que gentilmente providenciou escada, quebrou galhos do pé de acerola para facilitar o acesso do fotógrafo e ainda ofereceu água e uma boa conversa) valoriza mesmo os pequenos gestos e acontecimentos para viver bem. ‘‘É muito importante a gente dar importância para essas coisas que, na correria do dia-a-dia, ficam para segundo plano’’, afirma Rodrigo, acrescentando que talvez não tenha outra oportunidade na sua vida de observar de perto outro animal desse. ‘‘É raro, místico, mítico. Me considero abençoado por ter um urutau na esquina da minha casa.’’
  Segundo informações da Força Verde, não é possível fazer a captura desse animal (nem mesmo a própria polícia) sob pena de incorrer em crime ambiental. Assim, o urutau, embora perdido na zona urbana, pelo menos ainda mantém garantida a sua liberdade, para a alegria da vizinhança.

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