Rolândia - O fluxo intenso de veículos e os engarrafamentos típicos das grandes cidades não fazem parte da rotina dos cerca de 60 mil habitantes de Rolândia (Norte). Em compensação, deparar-se com um trem cortando algumas das principais vias do município é rotina para a maioria, que perde um tempo precioso, diariamente, esperando as composições de vagões passarem. Da mesma forma, a população tenta se habituar ao intenso barulho dos apitos, que alertam para sua passagem e ecoam nos mais diversos horários do dia e da noite.
O problema não é exclusividade de Rolândia, atinge vários municípios que são cortados pela linha férrea. Cidades como Curitiba, Maringá (Noroeste) Apucarana e Cambé (Norte) já têm projetos em andamento para construir trincheiras ou alterar o curso dos trilhos, rebaixando-os e até transferindo-os para debaixo de ruas. Os rolandenses, por sua vez, se mobilizam para tentar ''amenizar os transtornos'' da presença dos trens. Um dos pedidos é a retirada do pátio de manobras de área localizada a poucos metros de um bairro residencial.
No mês de maio um grupo de moradores apresentou requerimento ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo providências. Vários documentos, gravações, publicações, fotografias e até um laudo de avaliação de ruído foram anexados, com o objetivo de comprovar os problemas. ''Às vezes as composições ficam até duas horas paradas, impedindo a passagem de carros e pedestres. Muita gente, para não chegar atrasada ao trabalho ou perder compromissos, acaba pulando os vagões, o que é um perigo'', alerta um dos moradores, Ademar Lazarin. Ele lembra que até os bombeiros ficam impedidos de chegar ao outro lado da cidade, quando há o bloqueio da linha férrea.
Lazarin mostrou à reportagem cópia do laudo de avaliação de ruído, feito pela empresa De Lucca Engenharia Elétrica e Segurança do Trabalho, concluindo que ''o som de alerta nos cruzamentos de vias dentro de áreas residenciais na cidade ultrapassa os limites seguros, é prejudicial e contra as normas do Ministério do Trabalho e do município, não respeitando a lei do silêncio após as 22 horas''.
O MPF de Londrina informou que foi aberto um procedimento administrativo para apurar o conteúdo da denúncia apresentada. A América Latina Logística (ALL), empresa que detém a concessão federal das linhas férreas, foi oficiada e a resposta aos questionamentos feitos foi protocolada na última quarta-feira, para análise do procurador responsável pelo caso.

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