Um trabalho para chamar de meu
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Barbara tem apenas 21 anos, mas já trabalhou em quatro empregos diferentes. Uma nova etapa de sua vida teve início na semana passada, quando ela começou a atender clientes na loja de presentes do tio, no Centro de Londrina. Nada incomum, se Barbara Carolina Galão Palma não sofresse de deficiência intelectual. Para ela, e para muitos que nasceram com déficit de intelecto, conseguir uma vaga no mercado de trabalho não é assim tão fácil como parece.
Conforme a terapeuta ocupacional Maria Madalena Sant'Anna, as grandes empresas ainda preferem empregar pessoas com deficiência visual, auditiva e física aos portadores de deficiência intelectual. Isso porque este tipo de deficiência requer o deslocamento de um funcionário que acompanhe a adaptação do novo empregado às atividades da empresa.
Outro entrave para a entrada destes candidatos no mercado de trabalho é a falta de profissionalização no ensino regular. ''Alunos de escolas especiais têm acesso a oficinas protegidas, diferente de alunos matriculados no programa de inclusão das escolas regulares'', disse Madalena.
Neste caso, quando o aluno deixa o ensino regular, ou ele fica em casa, vivendo da aposentadoria, ou retorna para a escola especial em busca da profissionalização. ''Mas esta segunda opção é mais difícil pois não há vagas nessas instituições'', apontou Madalena. Como terapeuta ocupacional, ela já conseguiu encaixar dois profissionais em lojas da cidade e trabalha na inclusão de um terceiro. Um dos casos é o de Barbara, que sempre sonhou em trabalhar numa loja. ''Gosto mesmo é de atender os clientes'', confessou a garota.
Segundo Madalena, o portador de deficiência intelectual tem dificuldade no aprendizado cognitivo, como a leitura e a escrita, mas pode se dar muito bem realizando atividades sistematizadas. ''Por isso ele se beneficia da escola protegida, onde participa de oficinas de trabalho'', declarou a terapeuta.
Ela assinalou que nas escolas especiais os alunos normalmente descobrem o interesse por algum artesanato, além de aprender a bater cartão ponto, respeitando os horários de entrada e saída, como se estivessem vivendo uma experiência real de trabalho.
No projeto de Madalena, candidatos e empresas passam por um período de adaptação, em que um funcionário é destacado para ensinar as funções ao novo empregado e monitorá-lo até que ele esteja apto a desempenhar a atividade sozinho. São feitas reuniões mensais de acompanhamento entre o monitor e a terapeuta ocupacional. ''Chega uma hora em que o monitor passa a ser somente o chefe.''
Ainda conforme a terapeuta, o portador de deficiência ganha com a nova oportunidade de crescimento e a empresa ganha o benefício da diversidade. ''Até as relações interpessoais melhoram.'' Para Madalena, a maior dificuldade está nas empresas entenderem que é preciso investir para formar. ''A maioria dos empresários ainda prefere candidatos já prontos.''
Segundo a diretora da APS Down de Londrina, Ana Cássia Jorge Cestari, hoje a maioria dos alunos capacitados nas cinco instituições especiais da cidade possui cadastro na Agência do Trabalhador. ''Dependendo do candidato e do perfil da empresa, o aluno é desligado da instituição após conseguir a vaga'', assinalou Ana.


