Londrina - Cozinhar, lavar, impor regras, mas principalmente amar. Essas são as tarefas de uma mãe social, um trabalho de atuação em casas abrigos onde vivem crianças que por algum motivo foram retiradas do convívio familiar pelo poder judiciário.
"Além de receber pelo trabalho, essas mães são capacitadas para acolher as crianças como verdadeiros filhos. O objetivo maior é dar aconchego para que elas não fiquem ainda mais comprometidas emocionalmente, pois já são penalizadas por terem sido retiradas da guarda dos pais", comenta Silmara Silvestre, coordenadora técnica do Acolhimento do Lar Anália Franco, que mantém quatro casas lares.
Em cada uma vivem 12 crianças entre 0 e 8 anos, cuidadas por três mães sociais que se revezam por turnos. Além disso, há uma profissional para eventuais faltas e Elizabete Aparecida de Lima Silva, de 51 anos, que atende especificamente duas jovens especiais.
Elisabete tem um entendimento claro sobre o que é ser uma mãe social. Atuando há três anos na casa lar, ela conta que o trabalho surgiu em um momento importante de sua vida. "Eu tinha um filho especial que Deus recolheu. Minha vida era cuidar dele e, por isso, fiquei sem chão e precisava me ocupar. Foi então que uma amiga me sugeriu ser mãe social e estou até hoje muito feliz com o que faço. Gosto de saber que enquanto estou aqui elas estão sendo bem cuidadas", comenta.
A dedicação de Elisabete é diária, dando comida, banho, trocando de roupa, levando ao médico, conversando e o principal: dando atenção. "Adoro o que faço e não me importa se são filhas verdadeiras. Me sinto mãe e sou movida pelo amor", revela.

Acolhimento
Desde sua fundação em 1963, a entidade filantrópica se dedica ao trabalho de acolhida, amparo e educação para crianças. A iniciativa foi de uma comunidade inspirada nas obras beneficentes de Anália Franco (1856-1919). Hoje, meio século depois, essa dedicação continua sendo a referência da instituição, que se mantém com doações, vendas do bazar beneficente e um convênio com a prefeitura municipal.
"A proposta é que o local de acolhimento seja um verdadeiro lar para essas crianças. É preciso que elas se sintam em casa", comenta Silmara, ao citar que estão abertas cinco vagas para mães sociais. "Elas trabalharão de segunda-feira a sábado, durante seis horas, com escala aos finais de semana. Os únicos requisitos são a idade mínima de 27 anos e ter, de preferência, experiência com crianças. As interessadas passarão por uma seleção", detalha.
Segundo Silmara, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que cada criança deve permanecer nas casas lares por até dois anos. A intenção é que neste período a rede municipal de assistência social trabalhe com a criança e os pais para que haja um retorno familiar. Quando não há essa possibilidade, a alternativa é buscar outros vínculos como parentes mais próximos.
"Em determinadas situações, o próximo passo é procurar pais adotivos e, em casos extremos, manter a criança no lar até os 15 anos, encaminhando-a para cursos profissionalizantes para que ela comece a enxergar uma vida independente", explica.

Serviço:
As interessadas pelas vagas de mães sociais devem entram em contato com o Lar Anália Franco, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, pelo telefone (43) 3337-8731.

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