Um trabalho multiplicador
Londrina - Apesar de ser um organismo de ação social da CNBB, a Pastoral da Criança se firmou como um trabalho ecumênico, sem distinção de raça, cor, religião ou opção política. Mesmo com a morte de Zilda Arns durante um terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2010, a Pastoral manteve com força as atividades nas comunidades mais carentes.
Em todo o Brasil, de acordo com os dados do Sistema de Informação do segundo trimestre deste ano, cerca de 200 mil voluntários acompanham mais de 1,2 milhão de crianças e mais de 70 mil gestantes, em 35 mil comunidades de 3.825 municípios brasileiros.
"No início era tudo difícil porque as comunidades mais carentes eram inacessíveis e as famílias tinham muita resistência em nos receber. Levava-se um bom tempo batendo de porta em porta, explicando qual era nosso objetivo", relembra Sônia Maria F. Baise, de 60 anos, coordenadora paroquial em Florestópolis.
Sônia, que está na Pastoral desde a fundação em 1983, conta que Florestópolis não possuía um padre e que as ações comunitárias eram desenvolvidas pelas servas da caridade, estimuladas por dom Geraldo Magella. "As crianças desnutridas eram recebidas em um centro de recuperação, onde elas promoviam um trabalho de enfermagem, desde a alimentação até os cuidados básicos. Diante deste trabalho, o arcebispo dizia ter encontrado um lugar para fundar o projeto da Pastoral junto com a doutora Zilda", diz, informando que na época, de cada mil crianças nascidas, 120 morriam de desnutrição. Por volta de 1986, após uma viagem ao Nordeste, Zilda trouxe na bagagem a receita da multimistura. O composto de farelos de arroz, trigo, casca de ovo e folha de mandioca serve para enriquecer a alimentação mas deve ser usada apenas como um complemento. Atualmente, o produto tem sido distribuído principalmente para adultos portadores de algumas doenças, como o câncer e para idosos.
Após sua fundação em Florestópolis, a Pastoral da Criança se estendeu a Cambé (RML) um ano depois. O município registrava metade da população atual, estimada em 97 mil. "Comecei com o voluntariado na comunidade onde eu vivia. Ajudava no preparo da comida para os boias-frias e na horta comunitária do Jardim Tupi. Lembro bem das visitas que a doutora Zilda fez no bairro falando da Pastoral", comenta Neusa Costa Pereira, de 74 anos, coordenadora de comunidade em Cambé, onde atualmente são atendidas 630 famílias através de 150 líderes voluntárias. Em Florestópolis, são 530 famílias cadastradas, sendo 425 crianças entre 0 e 6 anos.
Entre os principais programas da Pastoral estão acompanhamento de crianças de 0 a 6 anos e de gestantes e ações complementares como alimentação, hortas caseiras e promoção de brincadeiras. (M.O.)





