Londrina - Na guerra contra a dengue, os educadores em saúde estão se unindo aos agentes comunitários de saúde para tentarem educar a comunidade londrinense. Na manhã de ontem o educador Lyonel Martinez, responsável pela região central e parte da zona leste, juntamente com as agentes da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro Social Urbano da Vila Portuguesa (centro) foram até a Vila Marízia conversar com os moradores, que puderam também aferir a pressão.
Foram levados também um larvário, com todo o ciclo de vida do mosquito e maquetes de casas com exemplos do que deve e o que não deve ser feito para impedir a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor. Entre o material informativo, fotos de pessoas com dengue hemorrágica, para chamar a atenção de todos sobre a importância da prevenção.
A escolha do bairro se deu pelo alto índice de infestação apontado pelo último Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), divulgado na semana passada. A média na cidade é de 7,4%, mas na região central chega a 9,01% - o aceitável pela Organização Mundial da Saúde é 1%. Há poucos dias também foi feito um mutirão no local, recolhendo tudo que pudesse acumular água. "Tiraram três caminhões de lixo daqui e agora estamos começando a ação educativa, mostrando fotos dos doentes, para tentar convencer a população a nos ajudar", conta Valdete de Oliveira Borges, agente comunitária.
Em cada casa, Valdete mostrou as fotos e explicou os sintomas, como manchas no corpo e sangramento na gengiva. "Leia e mostre para as crianças também, é muito importante", recomendou à doméstica Ana Lúcia Barbosa da Silva Moreira, cuja filha já teve a doença. "Graças a Deus não foi a (dengue) hemorrágica mas ela ficou bem doente, precisou tomar soro, vomitava muito. Agora eu faço uma faxina no meu quintal, lavo a vasilha de água do cachorro todos os dias, mas muitos lugares por aqui têm água, é difícil", comenta.
A recicladora Eliana de Souza diz que ninguém da sua família teve a doença e acredita que não é difícil cuidar da casa e evitar o mosquito. "Não tinha visto essas fotos, mas sei que a dengue mata. Pena que nem todos façam a sua parte."
A dona de casa Edicléia Moreira já teve a doença em 2011 e achava que era uma gripe, até ir à UBS. "Fiz a prova do laço e quando fiquei sabendo que era dengue, fiquei com medo do meu bebê ter também. Fiquei quatro dias bem ruim, tive muita dor de cabeça, febre e vomitei bastante também. Agora tomo bastante cuidado com o quintal, para não correr riscos novamente", afirma.
A dona de casa Diva Batista de Oliveira já viu de perto o sofrimento de quem é picado pelo mosquito contaminado. O filho e a neta já adoeceram e ela conta que o rapaz precisou ficar de cama vários dias. Enquanto aferia a pressão, ouvia também as recomendações dos agentes. "Sei que tem bastante mosquito por aqui, eu tomo cuidado e limpo o quintal."
Lyonel diz que ações semelhantes serão desenvolvidos em outros bairros das regiões centro e leste, como Vila Casoni, Jardim Paulista, Centro Social Urbano, Jardim Kase e Jardim Castelo. "Queremos impressionar as pessoas com as fotos, para chamar mesmo a atenção. Quando trazemos a maquete chamamos a atenção principalmente das crianças. E com a presença dos agentes de saúde, os moradores não precisam se deslocar até a UBS."

Mutirões
Luiz Alfredo Gonçalves, supervisor de Endemias da Secretaria de Saúde, afirma que diversas ações continuarão a ser realizadas nos próximos dias, para tentar conter a infestação do mosquito. Na segunda-feira será realizado um mutirão de limpeza no Conjunto Roseira (zona sul). Neste final de semana os moradores devem colocar nas calçadas todo o material que possa reter água, como recicláveis, pneus, móveis e eletrodomésticos da linha branca, como máquina de lavar e geladeira. "Só não iremos recolher galhos e entulhos de construção", explica Gonçalves.
Também continuará a aplicação do fumacê e cada educador em saúde também está desenvolvendo ações em suas regiões, em conjunto com os agentes de endemias. "Mas nada disso adianta sem as ações individuais, eliminando o que pode juntar água. Tivemos um caso de muitos mosquitos em uma região e o criadouro era em uma calha entupida. As pessoas precisam prestar atenção a esses detalhes", ressalta. Neste ano foram registrados dois casos de dengue, um autóctone e outro importado.

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