Um em cada três brasileiros não tem condições ideais de moradia, seja na falta de esgoto, de água encanada ou simplesmente de uma casa decente. Essa é a conclusão da ''Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2007: Primeiras análises'', divulgada ontem, em Brasília, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
São aproximadamente 54 milhões de pessoas (ou 34,5% da população) vivendo em situação inadequada. A pesquisa, realizada em 2007, registra números da qualidade de moradia, água encanada ou saneamento básico no País.
Os dados do Ipea revelam os índices do Brasil para atingir os Objetivos do Milênio das Organizações das Nações Unidas (ONU), conjunto de metas propostas aos países e que visam combater a pobreza, garantir o desenvolvimento e a melhoria na qualidade de vida da população até 2015. Em alguns quesitos, o Brasil já atingiu as metas. Em outros, há muito o que melhorar.
Neste ano, o País alcançou a meta da ONU em relação à água. Hoje, 91,3% das casas dos brasileiros de áreas urbanas recebem água canalizada. Em zonas rurais, esse número fica em 28% (já que 58% da população rural ainda usa água de poço ou de nascentes; 39,3% não tem água encanada).
Mesmo com o maior aumento nos últimos 15 anos, os brasileiros que vivem em cidades ainda sofrem na quesito de acesso à rede de esgoto. Entre 2006 e 2007, o número de domicílios com acesso ao serviço passou de 54,4% para 57,4%. Quase 4,5 milhões de brasileiros ganharam rede de saneamento básico em suas moradias entre os dois últimos anos. Ainda assim, mais de 30 milhões de pessoas não têm o esgoto coletado.
É o caso de famílias da Vila Parolin, em Curitiba. Em algumas da ruas do bairro, um córrego passa recebendo todos os dejetos das casas. ''O esgoto cai tudo aqui'', aponta o ex-morador da vila Rui Ricardo Santos, que sempre visita a mãe no bairro. Santos define a vida no local como precária. ''No verão é pior. Quando esquenta, o cheiro fica pior do que é. Faz mal para as crianças'', diz ele.
Com uma casa em frente ao esgoto, a moradora Rosana Bassani Lima, que vive no local há 36 anos, confirma. ''Toda água do banheiro e da pia vai para o rio'', conta ela, que sobrevive reciclando papel e sustenta seis filhos dessa forma. Na sua visão, o principal problema do lugar é mesmo o esgoto. Outros serviços, como água encanada e energia elétrica, já chegaram ao bairro.
A esperança dos dois são 677 moradias que estão sendo construídas no local pela Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Curitiba. Os recursos são da prefeitura municipal e do governo federal.

Diferenças
A pesquisa revela ainda o abismo social entre os mais ricos e os mais pobres. Enquanto entre os 20% mais pobres o nível de água canalizada é de 83%, entre os mais ricos, esse número chega a 96%. Já na questão de rede geral de esgoto ou fossa séptica, a cobertura para os mais ricos alcança 92,8%, enquanto para os mais pobres está em 64,6%.

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