Curitiba - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou na manhã de ontem, em Brasília, a ''Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2007: Primeiras análises''. A conclusão do estudo é que um em cada três brasileiros não tem condições ideais de moradia, seja na falta de esgoto, de água encanada ou simplesmente de uma casa decente. São aproximadamente 54 milhões de pessoas (ou 34,5% da população) vivendo em situação inadequada. A pesquisa foi realizada em 2007.
Os dados do Ipea revelam os índices do Brasil para atingir os Objetivos do Milênio das Organizações das Nações Unidas (ONU), conjunto de metas propostas aos países para combater a pobreza, garantir desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida da população até 2015. Neste ano, o País alcançou a meta em relação à água. Hoje, 91,3% das casas dos brasileiros de áreas urbanas recebem água canalizada. Em zonas rurais, esse número fica em 28%.
A situação do esgoto é diferente. Entre 2006 e 2007, quase 4,5 milhões de brasileiros ganharam rede de saneamento básico. Ainda assim, mais 30 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao serviço.
É o caso de famílias da Vila Parolin, em Curitiba. Em algumas da ruas do bairro, um córrego passa recebendo todo o esgoto das casas. ''O esgoto cai tudo aqui'', aponta Rui Ricardo Santos, que sempre visita a mãe no bairro. Santos define a vida no local como precária. ''No verão é pior. Quando esquenta, o cheiro fica pior do que é. Faz mal para as crianças'', diz ele.
R
Com uma casa em frente ao córrego, a moradora Rosana Bassani Lima, que vive no local há 36 anos, confirma. ''Toda água do banheiro, da pia, tudo vai para o rio'', conta ela, que sobrevive reciclando papel e sustenta seis filhos dessa forma.
A pesquisa traz, no entanto, uma notícia boa para os curitibanos: entre todas as capitais investigadas, a cidade é a que tem o menor índice de indivíduos por dormitório - 3,8. A densidade domiciliar é o número de pessoas que dividem o mesmo cômodo como dormitório. A média nas regiões metropolitanas é de 9,1 pessoas por dormitório e o número considerado ideal é 3.
Estima-se que 12,3 milhões de brasileiros (7,8% da população) vivam em níveis de densidade domiciliar acima da média adequada. A situação mais grave está em Belém (PA), onde o adensamento excessivo é o mais alto do Brasil, chegando a 16,6. A capital do Pará é seguida por São Paulo (SP) com 11,7, Salvador (BA) com 10,6 e Recife (PE) com 9,5 pessoas por dormitório. As outras capitais têm índices inferiores à média nacional.
Em termos absolutos, as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro (RJ) são as que mais sofrem com a alta densidade domiciliar. São Paulo concentra 2,2 milhões de pessoas vivendo nessa situação, enquanto no Rio o número é de um milhão.

mockup