Albari RosaMaria e João Salkoski seguram a foto do filho, Luciano, morto em 1995A dona-de-casa Maria Aparecida, 47 anos, não consegue falar, mesmo que tenham se passado quatro anos da morte do filho, Luciano Salkoski, um estudante de engenharia elétrica, de 18 anos. O marido, o eletrotécnico aposentado João Salkovski, 50 anos, fala pelos dois. ‘‘Ele é um bandido incorporado a Polícia Militar’’. Ele é o tenente Demétrius Farias Lobo, que trabalha no Quartel Central da PM, em Curitiba, acusado de assassinar Luciano com um tiro pelas costas. O estudante, porém, tentava fugir da polícia, reconhece o próprio João. ‘‘Ele fugia sim, mas não era motivo’’, argumenta.
O crime aconteceu em 18 de julho de 1995, na Rua Maurício Higgins, no bairro Boqueirão. Luciano e três amigos, entre eles um cabo do exército, iam comer um cachorro-quente. O carro, do irmão de Luciano, que era mecânico, estava sem o vidro traseiro. Por causa disso, quando os jovens viram a polícia, tentaram fugir. Numa curva, Lobo dispara sua arma. O tiro mata Luciano. A polícia tentar forjar um confronto, mas 26 testemunhas confirmam ao pai da vítima que ninguém havia revidado.
No ano seguinte - 1º de setembro de 1996 -, o tenente Lobo volta às páginas dos jornais. É acusado de matar o motorista de caminhão Luiz Antônio Ferraz, com um tiro na cabeça. A justificativa: resistência. À época o juiz-auditor militar José Carlos Dalacqua afirmou que Lobo ‘‘tem demonstrado total destempero para a função que exerce e, com suas ações arbitrárias, está criando muitos problemas para a corporação militar.’’
Apesar disso, o processo não foi adiante. Está parado há três anos na 4ª Vara Criminal de Curitiba. A demora faz João Salkoski duvidar da Justiça. ‘‘Só vai preso pobre e preto. Quem tem dinheiro e influência, passa impune’’. O tenente não quis falar sobre o caso.

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