Conduzir ovelhas, carneiros e cordeiros para uma área cercada ou mesmo para reuni-los em um local predeterminado não é uma tarefa fácil. Quem afirma é Karina Lima, de 18 anos, estudante de Zootecnia e que realiza esse serviço pelo menos duas vezes ao dia para conduzir suas pesquisas com ovinos. Ela era uma das pessoas que assistiram ao show de pastoreio de ovinos realizado por cães Border Collie, comandados pelo adestrador Nedson Buzzo Junior, na noite de quarta-feira, no Parque Ney Braga, durante a ExpoLondrina.
Karina contou que em seu estágio a condução dos animais é realizado por trabalhadores. "Temos que tirar os ovinos dos piquetes para as baias às 6h30 e às 17h30. Geralmente eu levo meia hora para fazer isso em cada uma das vezes, mas assistindo ao show vi que os cães realizam o mesmo serviço em 15 minutos", declarou.
Os ovinos utilizados durante o show nunca tinham sido conduzidos por cachorros, por esse motivo Buzzo Junior avisou que antes de dar início à atividade precisaria "quebrar" o rebanho. "Eu preciso ensinar os ovinos a obedecerem os cães", explicou o adestrador do Canil Bratislava, de Maringá (Noroeste). Com um apito, o adestrador foi comandando os cães, que iam até o piquete e forçavam os animais a saírem de lá por meio de suas investidas ao estilo "bater e fugir". Ele explicou que no início o rebanho fica arredio às investidas dos cães, apontando sempre na direção contrária para o qual deveria ir.
Os carneiros e ovelhas iam sempre no rumo do piquete de onde saíram, por ter a concepção de que lá seria um local seguro, mas aos poucos os animais foram cedendo e percebendo que a área de segurança ficava no lado oposto, justamente aquele em que os cães não avançavam. Com isso, aos poucos os ovinos foram aceitando a condução dos cães e passaram a ser direcionados de acordo com a vontade do adestrador.
Buzzo anunciava antecipadamente por onde o rebanho iria passar e a cada silvo do apito os cães conduziam o rebanho de acordo com o treinamento preestabelecido. Os ovinos eram direcionados para frente, para trás, por determinado lado da pista de julgamento, passavam em meio aos cones posicionados como se fossem traves, enfim, um verdadeiro show de condução. Quem assistiu ao filme "Babe, um porquinho atrapalhado" viu como funciona uma competição de manejo com cães pastores.
Buzzo foi o primeiro brasileiro a ganhar uma competição desse tipo nos Estados Unidos. Ele trabalha na área desde 1996 e foi várias vezes aos Estados Unidos para se aprimorar. Ele informou que é necessário pelo menos um ano de adestramento para o cão realizar o serviço. "Mas esse treinamento precisa ser realizado sempre, para mantê-lo bem", revelou.
O adestrador explicou que os cães são classificados como arrebanhadores, como o Border Collie e o Australian Kelpie, indicados para circular o rebanho e levá-lo para um determinado local; os empurradores, como o Australian Cattle Dog, também conhecido como Heeler, e o Australian Shepherd (pastor australiano), que tocam os animais com o condutor. Há também os guardiões como o Maremano e o cão dos Pirineus, que protegem contra predadores. Um filhote dessas raças custa em média entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil e um cão treinado para essa atividade custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
A apresentação dos cães também será realizada no último dia da Exposição, no domingo, às 18 horas, na pista central.

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