Cambé - A morte de um homem de 62 anos, atropelado por um trem anteontem, em Cambé (região metropolitana de Londrina) chama a atenção e reacende a discussão sobre o risco de linhas ferroviárias que cortam municípios da região.
O funcionário público Mário Antunes Ribeiro teria sido atropelado durante manobras de uma das composições da América Latina Logística (ALL), na ATT Transbordo, localizada ao lado do pátio ferroviário, na área central da cidade. Apesar do acidente ter ocorrido no início da tarde, o corpo foi encontrado somente no fim da tarde, caído nos trihos.
Abalados, familiares e amigos de Ribeiro, que era varredor da Prefeitura de Cambé, afirmaram não entender o trágico acidente. ''É difícil de imaginar sob quais circunstâncias teria ocorrido o acidente. Acompanhei todo o reconhecimento no IML (Instituto Médico Legal) e ajudei na organização do velório e posso dizer que é realmente triste ver um colega tão querido morrer assim'', disse emocionado o fiscal da prefeitura, Carlos Roberto.
Segundo ele, a vítima não tinha o hábito atravessar a ferrovia fora da trincheira, distante 300 metros do local do acidente. ''Apesar do pouco conhecimento e da simplicidade, o Mário sempre foi um homem muito cuidadoso, sabia do risco de tentar atravessar aqui durante as manobras. Até agora não entendo o que aconteceu'', salientou. Ribeiro era casado há 25 anos e pai de um jovem. O sepultamento ocorreu ontem, no Cemitério Municipal de Cambé.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do atropelamento, mas moradores da região afirmam que é comum a travessia de pedestres no pátio durante a movimentação do trem.
''Apesar de não ter presenciado nenhum acidente ainda, eu percebo que existe sim um abuso aqui. Todo mundo sabe que tem uma passarela a uns 300 metros, mas o pessoal tem preguiça de atravessar e acaba se arriscando cruzando os trilhos'', afirma a ajudante de serviços gerais Maria Rosa Schutz, moradora há mais de 20 anos do Conjunto Cristal e que passa pelo local todos os dias para ir trabalhar.
O conferente Luis Carlos Bail é vizinho do pátio ferroviário há mais de 10 anos. Ele reconhece o perigo da movimentação do trem na área central e, por isso, alerta os filhos a manterem distância dos trilhos. ''Eu já trabalhei como maquinista e sei como tudo pode acontecer muito rápido, sem tempo de reação para quem está atravessando. Muita gente acha que dá tempo, mas pode acabar enrroscando os pés, e caindo'', explica.
Transposição
O secretário municipal de obras, José Ruiz, afirmou reconhecer o perigo que representa presença da linha férrea próximo às casas, mas afirmou não ter conhecimento da execução de nenhum projeto para proporcionar mais segurança aos que circulam pelos área diariamente.
Ruiz lembra que a transposição da linha férrea, com passarela para pedestres, fica a 300 metros do local onde ocorreu o acidente e foi inaugurado em junho de 2011. ''O problema é que apesar da construção dessa trincheira, muitas pessoas continuam atravessando pelo local ao invés de caminhar alguns metros a mais até a transposição'', afirma o secretário.
Ruiz classificou o acidente com o varredor como um caso esporádico e afirmou que um trabalho de conscientização dos moradores para evitar acidentes no local foi realizado no ano passado.
A reportagem entrou em contato com o secretário de Planejamento, Fausto Anami, e foi informada que será realizada uma reunião com representantes da ALL na próxima semana para discutir a construção de outras transposições ao longo da linha ferroviária.
A assessoria de imprensa da ALL informou que a empresa está aberta à discussão de projetos para a execução de outras trincheiras ou passarelas na área que proporcionem mais segurança aos moradores.

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