Um risco para a vida profissional
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
O consumo de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, está em franco crescimento em todo o mundo, nos mais variados segmentos da sociedade e, consequentemente, nos ambientes de trabalho. Dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), revelam que o Brasil representa o segundo maior mercado de cocaína do mundo quando se trata de número absoluto de usuários. O País detém 20% do consumo mundial e ainda é o maior mercado de crack do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Quase seis milhões de brasileiros já experimentaram alguma apresentação de cocaína na vida. Com relação à maconha, cerca de 7% da população adulta já experimentou este tipo de droga, o que representa um universo de oito milhões de pessoas. Deste total, 3,4 milhões usaram o entorpecente no último ano.
Um dos problemas provocados pelo uso de drogas são os possíveis prejuízos à vida profissional e para as próprias empresas. De acordo com Mauro Duarte, professor de Psicologia Aplicada a Problemas de Álcool e Drogas do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), a dependência influencia diretamente na relação com o trabalho. ''Ficam prejudicados o desejo, a motivação e não há vontade ou compromisso com o trabalho, culminando em maiores perdas, que vão da produtividade aos acidentes de trabalho'', explica.
Segundo ele, além dos riscos para a vida profissional, a procura por planos de saúde, faltas, rotatividade de profissionais e mesmo baixa produtividade estão, muitas vezes, ligadas ao uso de álcool e outras drogas.
A psicóloga Lígia Fukahori, do Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (Caps-AD), reforça, com base em relatos dos próprios usuários da unidade, que quando o quadro de dependência está instalado ou o uso está se agravando e se instalando a dependência, há prejuízo no ambiente de trabalho. ''Por não conseguirem ficar sem o uso da susbstância, seja álcool ou outros tipos de drogas, começam a faltar do serviço'', diz.
O professor da Unifil acrescenta que os colegas de trabalho também sofrem por ficarem expostos a um indivíduo que não tem mais comprometimento com o objetivo da função que exerce e que substitui toda forma de relação pela compulsão ao uso de drogas.
O empregador, por sua vez, também perde. O primeiro prejuízo é em relação ao seu capital maior, que é a sua imagem. ''A empresa que não se preocupa em selecionar, treinar e amparar seus funcionários perde profundamente em sua imagem na sociedade e no mercado, tanto na produtividade quanto no seu compromisso social'', observa.
A melhor alternativa, conforme Duarte, é amparar e cuidar do funcionário que desenvolve uma relação com as drogas. Ele afirma que o empregado não fica incapacitado, mas pode ser limitado em suas tarefas. ''Um processo de seleção e treinamento é fundamental. A psicologia tem meios para avaliar e mesmo prever a possível relação do trabalhador com as drogas. Garanto que qualquer indício de uso de entorpecentes, e até mesmo cigarro, é ponto capital para eliminar um candidato a uma vaga.''
O psicólogo orienta as empresas a conduzirem campanhas preventivas, visto que envolvimento e dependência são um processo silencioso, sobretudo com álcool e drogas chamadas de ''menos perigosas, como cigarro e maconha, por exemplo, mas que podem evoluir para males maiores, como danos à saúde e psíquicos''. Ele ressalta, ainda, que o uso e abuso de entorpecentss é algo tão constante que, às vezes, são procuradas soluções simplórias como descriminalização, defesa de usos paliativos ou redução de danos. ''A solução não é simples. Para obter resultados é necessário ter dedicação, coragem, políticas de combate rígidas, tratamento sério e especializado e muito amor'', elenca.


