Um retrato da falta de saneamento
Elisângela Santos Almeida, 21 anos, mora na periferia da cidade, onde o saneamento básico é mais um divisor de águas que a separa de uma vida que qualquer cidadão sonha ter, podendo trabalhar e criar os filhos com o mínimo de condições de sobrevivência.
Moradora há nove meses na invasão Nossa Senhora Aparecida (Zona Norte), ao ser abordada pela reportagem, a mulher lavava roupa no tanque tranbordando água suja.
''Aqui falta muita água para a gente fazer o serviço de casa. Muitas vezes, o trabalho fica pela metade'', afirmou Rosângela, mãe de uma criança de três anos e que mora com seis pessoas no barraco.
Aparentando ter mais idade, a jovem é consciente de que a falta de limpeza na casa traz doenças.
''A gente tem que ficar sempre cuidando da fossa para o menino não cair'', explicou, apontando para o buraco pegado à casa e tampado precariamente com algumas tábuas velhas.
É da fossa que saem as baratas e pernilongos que infestam o barraco. ''Aqui os bichos mordem as crianças. Tem gente que fica com o corpo cheio de feridas por causa dos pernilongos'', lamentou, acrescentando que o filho ficou internado dois dias com desidratação.
Separada do marido, Elisângela não teve outra alternativa a não ser morar com a mãe. Os seis moradores do barraco tentam sobreviver com apenas R$ 300,00.





