'Um respeito imenso pela vida'
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Conversar de modo franco e sincero e mostrar que doar é um gesto de amor ao próximo deve ser a estratégia dos profissionais de saúde na abordagem das famílias.'' A afirmação é de Gláucia Repula, assistente social da Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET), sobre a importância de ter profissionais capacitados para falar com as famílias sobre um assunto delicado - a doação de órgãos.
Para a psicóloga Jacqueline Queirolo, que acompanha diariamente pacientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Londrina, falar com os familiares ainda é muito difícil. ''As pessoas não estão informadas corretamente sobre a urgência e a importância da doação e o fator tempo é determinante. São muitas dúvidas, mitos e preconceitos e as instituições de saúde precisam se unir para uma campanha educativa e de mudança de cultura.''
Para ela, um profissional preparado para abordar as famílias oferece mais segurança, contribuindo para um retorno positivo. ''De um modo geral, as pessoas são resistentes e não encaram com bons olhos esse acompanhamento, considerando sempre que o ente querido mal acaba de morrer e já estamos 'em cima', ou seja, sem respeito. Contudo, a diferença está exatamente aí: o tempo entre o sim e o não de uma família pode significar a esperança de muitas outras. Isso é ter um respeito imenso pela vida'', explica Jacqueline.
O HE sedia amanhã o Curso de Capacitação de Abordagem Familiar para a Doação de Tecidos Músculos Esqueléticos. Idealizada pela Central de Transplantes, a aula é voltada para membros de Comissões Intra Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, como enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e médicos.
O HE é credenciado pela CET para o transplante de órgãos e no ano passado captou cerca de 60 órgãos, mas ainda conta com o apoio de uma equipe curitibana para a realização de cirurgias de captação de ossos.
A capacitação irá focar a busca ativa e abordagem das famílias, já que em Londrina a doação de tecidos e ossos ainda é baixa. ''Por um lado, é preciso conscientizar a sociedade de como se dá a doação e o transplante e que não existe venda de órgãos. Por outro, é importante trabalhar os hospitais para capacitar os profissionais, principalmente para a entrevista familiar'', declarou Gláucia.
Ela elencou algumas fases cruciais do processo de doação, que começa com a entrada do paciente no hospital: ''Tem o acolhimento da família e o esclarecimento médico, que deve eliminar todas as dúvidas, pois família que fica na dúvida não doa''.
Segundo Gláucia, nem todos os doadores em potencial são abordados no dia a dia dos hospitais. ''Mortes encefálicas nem sempre são notificadas à central de transplantes e protocolos são abertos tardiamente, dificultando a captação'', apontou.
Serviço
- Informações sobre o curso pelos fones (43) 3378-1203 e 9960-6377. As vagas são limitadas.


