Um recorde: nove anos sem motim
O Minipresídio de Cascavel tem capacidade para apenas 120 presos, mas comporta permanentemente cerca de 250. Além da superlotação, não é estabelecimento formal de cumprimento de pena. Apesar disso, detém o recorde entre os de seu porte no Estado, com nove anos sem motim e 37 meses sem fuga. Praticamente não há conflito entre os presos. A última agressão foi registrada há 10 meses, quando um deles usou um estoque feito com osso, de carne servida no almoço, para ferir outro.
A situação de normalidade, segundo o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial, Osnildo Carneiro Lemos, não significa que não haja sérios problemas a resolver. A primeira reclamação é de que trata-se de uma cadeia pública, mas foi transformada indevidamente em estabelecimento penal.
Pelo andar da carruagem, vamos chegar ao final do ano com 300 presos aqui, estima Osnildo. O delegado relata que o prédio, construído há duas décadas, tem problemas de infiltração e precisa de pequenas obras, de custo pouco expressivo. Osnildo conta que há 14 anos pediu a construção de guaritas adequadas para a guarda e uma passarela elevada. Sai, voltei, e até hoje estou esperando, reclama.
A superlotação do minipresídio pode ser parcialmente amenizada com a Penitenciária Industrial de Cascavel, projeto da Secretaria de Justiça com custo de R$ 6,2 milhões e obras iniciadas em julho, com previsão de conclusão em um ano. O presídio abrigará 240 condenados primários da própria região, portanto cumprindo penas perto dos locais de residência de suas famílias. Os presos trabalharão em indústrias a serem instaladas anexas.
Além disso, eles terão redução de pena, proporcional aos dias trabalhados. Após o trabalho, deverão participar de práticas esportivas, e à noite de alfabetização ou cursos de formação escolar ou profissionalizante.
O projeto compreende 7,1 mil metros quadrados de construções, em terreno com 5 alqueires, a 10 quilômetros da cidade e à margem da BR-277, na saída para Curitiba.Edson MazzettoCozinhaPresos de confiança ajudam no refeitório do minipresídioPaulo Pegoraro





