Existe um profissional que, além de bom motorista, tem que ser meio conselheiro, meio meteorologista, meio 'muro de lamentações'. Que, por ouvir muito e falar pouco, pode ter informações capazes de destruir casamentos, de mudar os rumos da política, de abalar reputações. Se você pensou em taxista, acertou. Transitando pelos quatro cantos da cidade o dia todo, eles são verdadeiras centrais de informação. ''A gente sabe até quem vai ganhar uma eleição. Só que a gente não pode falar tudo o que sabe'', afirma um dos profissionais mais antigos de Londrina, seo Ildefonso Delarosa, de 75 anos.
Da época que Delarosa começou no ano de 1956 para cá foram muitas as transformações, mas determinadas características da profissão não mudaram. E nem podem. Discrição, sensibilidade para saber como o cliente gosta de ser tratado e gentileza na medida certa continuam sendo o segredo dos bons taxistas. ''Dar um bom dia com um sorriso, abrir a porta do carro, carregar a mala para o cliente, esperar até que ele entre em segurança dentro de casa, são pequenas coisas que contam muito'', ensina o também experiente Júlio Roberto Zambrin, 49 anos, 19 de profissão.
A esta lista, Fernando Nunes Souza, 31 anos e taxista há 13 anos, acrescenta: ''É preciso ser criativo e não descuidar da aparência e higiene do carro''. Para exemplificar, ele conta que passou a fazer contatos com empresas, oferecendo seu serviço. ''Deixo currículo, mando e-mail, vou atrás.'' A iniciativa deu certo. ''Hoje presto muito serviço para empresas. 80% do meu faturamento vem de clientes fixos.'' Para Souza, um bom atendimento, na hora certa, pode significar a conquista de vários clientes, pois a propaganda boca-a-boca, neste caso, é uma das mais eficazes.
Justamente esta preocupação em oferecer um serviço cada vez mais profissional levou os taxistas a se organizarem em torno de uma associação que, de quebra, ainda imprimiu maior rapidez no atendimento. Há exatos 20 anos nascia na cidade a Associação Rádio Táxi Londrina (Faixa Vermelha), que criou o hábito da ligação feita para uma central, que ''administra'' os carros disponíveis. Vinte e quatro horas por dia há uma telefonista e uma operadora de rádio de plantão. Além de pioneira, a entidade é a maior da cidade, com 141 associados.
''O fato de estarmos ligados a uma associação dá mais credibilidade e maior segurança aos clientes. Uma das corridas que não esqueço foi uma em que fui chamado para levar um garotinho de 1,5 ano. A mãe confiou em mim, talvez por ser do rádio táxi'', avalia Júlio Zambrin. Outra lembrança não tão agradável do taxista também envolve uma criança. ''Uma vez fui assaltado por uma mulher carregando um bebê de seis meses. Hoje em dia não há mais um perfil definido do assaltante. O perigo pode estar em qualquer um.''
Zambrin costuma dizer que atrai a confiança dos clientes. ''São muitos os que entram no carro e pedem minha opinião sobre determinados assuntos. Até sobre criação de filhos.'' Mas as histórias movidas a antipatia também permeiam o dia-a-dia destes profissionais. ''Dia destes um político conhecido aqui da região entrou no meu carro, bem cedinho. Ele ia embarcar para Curitiba, e eu, para puxar assunto, perguntei como estava o tempo por lá. Ele simplesmente me disse que não sabia porque não estava lá. Logo depois foi a vez dele me perguntar se o aeroporto 'estava aberto'. Tive vontade de responder no mesmo tom, mas não podia, né?''

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