A chegada do calor vem acompanhada pela intensificação das chuvas, o que significa mais transtornos e desconforto aos usuários do transporte coletivo metropolitano, que têm que aguardar em pontos de ônibus como os localizados na Avenida Leste-Oeste, na área central de Londrina. A reivindicação é antiga e a situação deve se estender ainda por um bom tempo, já que não houve acordo em uma audiência de conciliação realizada nesta semana, para discutir o assunto. Participaram representantes do Ministério Público, do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) e das empresas concessionárias do serviço.

Segundo o promotor de Justiça Miguel Sogaiar, a implantação de pontos de ônibus adequados não precisa ser em toda a extensão percorrida pelo transporte metropolitano. "A parte crítica fica naquele trecho próximo ao Terminal Urbano Central, na Avenida Arcebispo Dom Geraldo Fernandes (Leste-Oeste)", ressaltou, lembrando que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) já elaborou um protótipo de um ponto.

O superintendente da regional do DER de Londrina, Sérgio Selvatici, ressaltou que o órgão entende que não é competência dele a implantação no perímetro urbano. "Os pontos de ônibus são nossa responsabilidade quando estão nas rodovias, na faixa de domínio do DER. Mas quando estão dentro do município, a gente entende que é a prefeitura quem deve implantá-lo", afirmou. "Essa decisão foi tomada pelo diretor geral do DER. Eu não sei qual o caminho que o Ministério Público vai trilhar daqui para frente; nossa área jurídica vai acompanhar e discutir o que chegar da decisão da justiça. O que o DER tiver que fazer irá fazer, pois decisão judicial não discute", declarou, se referindo a uma ação civil pública ajuizada do MP para que o DER e as empresas de ônibus tomem
as providências necessárias para a adaptação das estruturas dos pontos.

Representantes das empresas argumentaram, durante a audiência, que não poderiam assumir um compromisso sem que houvesse um documento estabelecendo as responsabilidades de cada um e sem que a concordância do município. "No caso da TIL vamos esperar uma determinação do DER; não é que as empresas não queiram implantar os abrigos", declarou o gerente da TIL Transportes, Eduardo Dias. Já o presidente do Grupo GBS, responsável pelas linhas metropolitanas da Viação Garcia, José Boiko, afirmou, por meio de nota, que "a exemplo das demais empresas e do próprio DER, entendemos que a instalação de pontos de ônibus é uma obrigação do poder público."

A assessoria de comunicação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) destacou que o fato das empresas e do DER atribuírem a responsabilidade pela implantação dos abrigos ao município é um dado novo e a companhia discorda dessa atribuição. Como não houve acordo na audiência, a ação civil pública terá seguimento, mas a via judicial poderá ser demorada. Não há um prazo para a conclusão desse processo.

mockup