Um preconceito a ser quebrado
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Há 28 anos, Eliane Rose Maio resolveu se dedicar a temas relacionados à sexualidade. Hoje, ela é psicóloga, sexóloga e pós-doutora em Educação Escolar da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e se esforça para mudar uma realidade no país no que diz respeito à sexualidade de deficientes.
''Se já não falam sobre sexualidade para quem não tem uma necessidade especial, imagine para quem tem. Tudo que consideramos diferente ou fora do comum nós costumamos olhar com dó e, ao olhar com tristeza, onde entra o sexo?'', questiona a especialista, que esteve na quarta-feira ministrando palestra no VI Seminário de Educação Especial da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Diante de universitários e profissionais da área de saúde, Eliane procura quebrar esse tabu defendendo que o sexo deve fazer parte da educação de todos os deficientes. Segundo ela, os pais e educadores ficam tão preocupados com outros aspectos da deficiência, como fatores físicos e de inclusão social, que acabam deixando a sexualidade de fora. ''E minimizar ou reprimir essa manifestação não fará com que ela desapareça'', reforça.
Para quebrar os preconceitos, ela ressalta que a própria pessoa com deficiência deve dar o primeiro passo. ''Quando a deficiência é de nascença, os pais devem falar sobre sexo desde a infância, mas quando a pessoa, por algum motivo, se torna portadora de uma necessidade especial, ela deve vivenciar o luto daquilo que era perfeito para que ela possa resgatar as sensações. Enquanto não houver luto, nada na pessoa irá funcionar. Sexualmente falando, muito menos'', afirma.
O segundo passo deve ser dado pelos responsáveis, que diante da superproteção acabam não educando os filhos sobre o tema. ''O grande problema é que quando não se educa eles ficam vulneráveis, podendo sofrer abusos, pois a maioria não sabe se defender por desconhecer o assunto. A criança educada fica protegida. Ela sabe que pode dizer não e sabe quando e como pode ser tocada por outra pessoa'', revela.
Palavras adequadas
Além da vulnerabilidade, a psicóloga Eliane reforça que quando os deficientes se sentem isolados sexualmente, o sofrimento pode ser tão grande que com o passar do tempo pode levar à depressão. ''Eles devem perceber que são apaixonantes, apaixonáveis, que podem ter relações, se proteger e até dizer não'', salienta.
Para isso, ela defende que as instituições que atendem crianças com deficiência e inclusive as escolas regulares devem ter maior abertura para falar sobre sexualidade. ''Tem que ter uma formação docente para levar materiais e desenvolver projetos sobre o tema. Não é preciso falar só sobre sexo, mas trabalhar a questão do preservativo, da autoestima e o amor'', diz.
Dentro de casa, a especialista afirma que os pais devem estar abertos ao diálogo. ''Quando algum pai ou mãe me pergunta como deve falar com o filho sobre sexo, eu pergunto como foi a educação sexual deles e as respostas sempre são de reprovação. Então eu digo que eles devem lidar primeiro com os próprios preconceitos para passar a aceitar o assunto. Se o filho tem uma deficiência ou não, isso pouco importa nessa hora'', explica.
Para facilitar o diálogo, ela diz que os pais podem buscar vídeos na internet, livros e até aproveitar uma situação que esteja passando na televisão. ''Demonstre-se disposto a falar sobre aquilo. Pergunte se o filho quer conversar naquele momento e use palavras adequadas, sem infantilizar demais'', defende.


